As cooperativas agropecuárias poderão ampliar sua relação comercial com o mercado consumidor israelense. Isso porque a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) estão promovendo uma Missão de Negócios das Cooperativas do Mercosul a Israel. A viagem será entre os dias 25 e 29 de novembro e contará com a participação de dirigentes cooperativistas e representantes dos governos do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. As inscrições seguem até o dia 31 de agosto.
Além de visitas técnicas para conhecer as tecnologias utilizadas, a delegação participará da Feira Internacional Israfood, a maior do segmento de alimentos do país. A Israfood reúne em seus espaços ampla oferta de produtos alimentícios exportados pelas cooperativas brasileiras, como carnes, frutas e café. O grupo vai conhecer também o setor leiteiro israelense a fim de elaborar estratégias que estimulem a exportação de leite para além do Mercosul.
“A qualidade dos produtos das nossas cooperativas têm tudo para se destacar ainda mais no mercado israelense, que já exporta frutas e outros insumos do país. A troca de experiências com outras cooperativas do Brasil e dos países do Mercosul também vai ser fundamental para o desenvolvimento do cooperativismo paraense”, enfatizou o presidente do Sistema OCB/PA, Ernandes Raiol.
As cooperativas paraenses têm abraçado o objetivo da Missão e veem no projeto uma oportunidade para expandir seus negócios. “Iniciativas como essa ajudam a fazer com que o mercado externo conheça a qualidade do que é produzido na Região Amazônica. Acreditamos no potencial ainda do açaí e outras frutas tropicais, como o taperebá, o bacuri e o cupuaçu, que através dessa plataforma podem expandir seu mercado e contribuir para o fortalecimento da produção cooperativista”, afirmou o presidente da Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu (CAMTA), Alberto Oppata.
A Iniciativa
A parceria da OCB com o governo brasileiro visa, além da promoção dos negócios internacionais, estimular a troca de experiências entre os movimentos cooperativistas do Mercosul. A ideia é que a Embrapa e o Instituto Nacional de Pesquisas da Erva Mate da Argentina se tornem parceiros na busca por alternativas de produção de maior valor agregado.
Esta será a segunda missão conjunta organizada no âmbito da Reunião Especializada de Cooperativas do Mercosul, entidade que integra as cooperativas do bloco econômico. Em 2018, uma Missão Comercial de Cooperativas foi organizada à África do Sul, Botsuana e Namíbia, países membro da União Aduaneira da África Austral, organismo internacional com o qual o Mercosul possui um acordo de livre comércio.
Custos da Participação
Cada participante deverá se responsabilizar pelas despesas de viagem, hospedagem e alimentação. O Ministério da Agricultura do Brasil providenciará o serviço de transporte terrestre e tradução simultânea durante as reuniões em Israel. Já o Pavilhão Brasil na Israfood contará com estrutura completa, incluindo recepcionistas bilíngues, catálogo institucional e mobiliário para preparação e exposição de produtos, bem como para reunião com os potenciais compradores.
Serviço: Inscrições podem ser feitas no e-mail
A partir da mudança dos ramos prevista para o dia 1º de janeiro de 2020, o Sindicato e Organização das Cooperativas Brasileiras do Estado do Pará (OCB-PA) fará uma chamada pública voltada para as cooperativas. O objetivo é ouvir as demandas, suges
tões e definir em conjunto a melhor forma de modernizar o estatuto da Organização. As cooperativas terão até 15 de dezembro para enviar suas demandas a OCB-PA.
Também será organizada uma agenda de reuniões para discutir as propostas na sede em Belém. Para o interior, a Organização inseriu no Programa “OCB-PA Itinerante” momentos de debate sobre essa reformulação do estatuto. “Sabemos da dificuldade que é chegar em Belém. Por isso, abrimos esse momento para discutir e tratar desse assunto que de interesse de todo o cooperativismo do Pará”, explica Nelian Rossafa, assessora jurídica do Sistema OCB-PA.
O Programa “OCB-PA Itinerante” leva presencialmente os serviços e uma programação especial definida junto às cooperativas para esclarecer sobre o cooperativismo e atender às agendas de cursos das singulares já existentes no local. Para este segundo semestre, estão previstas mais duas edições do Programa, uma em Tucuruí, de 21 a 25 de outubro, e outra em Santarém, de 2 a 6 de dezembro.
“A ideia é ouvir as cooperativas até metade de dezembro e apresentar uma proposta mais azeitada para o Conselho de Administração em janeiro de 2020. Em abril, durante a nossa Assembleia Geral, queremos apresentar as sugestões levantadas junto a todas as cooperativas”, explica Ernandes Raiol, presidente do Sistema OCB-PA.
Ramos
Em março, durante a Assembleia Geral Ordinária da OCB Nacional, foi aprovada a reorganização do número de ramos cooperativistas a fim de ampliar as ações de representação dos interesses do cooperativismo. Até em então, o cooperativismo distribui-se nos seguintes ramos: agropecuário, consumo, crédito, educacional, especial, habitacional, infraestrutura, mineral, produção, saúde, trabalho, transporte, turismo e lazer. Com a aprovação dessa nova classificação, as quase sete mil cooperativas brasileiras passam a integrar apenas sete: Agropecuário; Produção de Bens e Serviços; Consumo; Infraestrutura; Saúde; Transporte e Crédito.
Segundo a OCB Nacional, nada muda na rotina das cooperativas e que essa mudança na forma de organizar os ramos é necessária para promover o fortalecimento e dar maior representatividade para alguns segmentos de cooperativas.
Para Raiol, isso representa um ganho para todo o cooperativismo. “Ao reorganizarmos os ramos econômicos estamos nos adequando a esse novo cenário social, econômico e tecnológico. O Brasil que criou essa estrutura organizacional está se tornando uma lembrança. É preciso atualizar, modernizar e criar mecanismos para facilitar o nosso trabalho junto ao desenvolvimento das cooperativas”.
Serviço: As sugestões para alteração do estatuto da OCB-PA devem ser enviadas até o dia 15 de dezembro para o e-mail

O XII Seminário Internacional de Desenvolvimento Rural Sustentável, Cooperativismo e Economia Solidária (SICOOPES) foi realizado durante esta terça no Instituto Federal do Pará (IFPA) – Campus Castanhal. O evento é uma referência internacional de produção de conhecimento e tecnologias agroalimentares socialmente justas, economicamente viáveis e ambientalmente sustentáveis. Cerca de 2.300 pessoas participaram de toda a programação, batendo o recorde de 2018, em que foram 1.200 inscritos.
A edição 2019 foi especial porque comemorou a expansão das parcerias interinstitucionais. A primeira ocorreu há 10 anos com a Universidade de Alicante (Espanha), que abriu as portas para o intercâmbio de conhecimento, experiências e expansão humana. Hoje, o IFPA Castanhal também tem parceria com a Universidade de Le Man (França), Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) (Portugal), USP, UFAP, UFPA, UFRJ, UFSCAR e Universidade Central do Equador.
“Este evento é muito especial para nós, porque pudemos ver o quanto nossa parceria cresceu, o quanto isso dá frutos e o quanto o trabalho em cooperação, seja nacional ou internacional, nos ajuda a crescer mutuamente. Tenho certeza que vou aprender ainda mais neste grande evento”, afirmou Daniel Gomez Lopez, professor e diretor de Pesquisa Internacional de Cooperativismo, Desenvolvimento Rural e Empreendimentos Solidários na União Europeia e na América Latina da Universidade de Alicante, da Espanha.
Para o diretor geral do IFPA Castanhal, Adebaro Alves dos Reis, o maior bem que as parcerias trazem é a formação de seres humanos versáteis, com pensamento crítico e capazes de reestruturar a própria realidade com propostas coletivas e integradoras. “O nosso objetivo maior é pensar em um ambiente rural melhor, que apresente novas propostas, novas ideias, que se dedique à inclusão, com pensamento crítico, conhecendo o nosso povo e outros povos. Um povo que conhece a realidade de outros povos e nações aprende a conhecer e reconhecer a si mesmo”, explicou.
Para se ter uma ideia do quanto isso é importante, real e concreto, no início do mês, a convite do professor Daniel Lopes, o Sindicato e Organização das Cooperativas Brasileiras do Estado do Pará (Sistema OCB/PA) esteve em Quito, Equador, para compartilhar experiências do cooperativismo paraense. O Equador é rico de alimentos, sabores pouco conhecidos e muito nutritivos. Também possui cultura alimentar genuína com muito potencial para um mercado gastronômico qualitativo.

“A realidade equatoriana é muito parecida com a nossa aqui do Pará, com a riqueza de sabores saudáveis e com potencial mercadológico. Por isso o professor Daniel nos convidou para ir lá e compartilhar como trabalhamos aqui, onde já superamos alguns gargalos, e eles (no Equador) ainda estão começando a se organizar em cooperativas, estão conhecendo o cooperativismo e suas possibilidades”, ressaltou Ernandes Raiol, presidente do Sistema OCB/PA.
Outro aspecto dessas parcerias é o carácter prático das ações. Uma delas é com o próprio Sistema OCB/PA, com quem mantém um Mestrado Profissional voltado para o desenvolvimento de empreendimentos agroalimentares. Na quinta (29), o painel temático 9 abordou o tema: Cooperativismo, Desenvolvimento Rural e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), com a participação do Superintendente do Sistema OCB/PA, Júnior Serra, os consultores da OCB/PA, Andreos Ramiro Pinto Leite e Camille Benchimol; o professor da UFRA, Dr. José Sebastião e o mediador do painel, Prof. Dr. Adebaro Alves dos Reis do IFPA.

Para ir de Altamira até Parauapebas, por exemplo, o usuário de transporte público em empresas convencionais precisa descer em outros municípios polo, como Marabá, comprar outra passagem, esperar o horário de saída e só depois chegar ao destino final. Agora com as singulares da Central das Cooperativas de Transporte do Estado do Pará (CENCOPA), o usuário pode emitir a passagem direta para o destino. Mais agilidade, eficiência e comodidade para o passageiro!
O projeto de conexões, idealizado pela CENCOPA, integraliza todas as cooperativas filiadas de acordo com as rotas já realizadas por cada singular. Anteriormente, as conexões existiam apenas entre os associados da própria cooperativa.
O usuário de Altamira, por exemplo, pode emitir passagem direta pela Cooperativa de Transporte Rodoviário de Passageiros (COOTAIT) para Dom Elizeu, Rondon, Araguatins, Parauapebas e demais regiões onde a Central atua. Chegando em Marabá, já passa direto para o veículo da Cooperativa Mista dos Transportadores de Passageiros e Cargas do Sul do Pará (COPASUL) e se encaminha ao destino.
“Ganha o passageiro que não perde tempo, tem maior segurança e eficiência. Também ganham as nossas cooperativas, que aumentam sua rentabilidade e acabam fidelizando o usuário. Esse é o nosso objetivo, integralizando a CENCOPA e a região Sul e Sudeste como um todo. Ficamos felizes em ver esse projeto atingindo uma proporção cada vez maior. Ressalto a importância do vice-presidente da COOTAIT, Fabinho, que tem nos ajudado no planejamento e execução das conexões”, explicou o vice-presidente da CENCOPA e presidente da COPASUL, Tarley Carvalho.
Atualmente, a Central possui 20 filiadas. As singulares estão pulverizadas em pontos estratégicos que fazem uma integração no Estado, tais como a COMASPA (Tucuruí), COTCAP (Pacajá), COOTAIT (Altamira), COOPTTAIL (Tailândia), COOROVAN (Rondon do Pará), COODEVAN (Dom Elizeu), TRANSJAC (Jacundá), COONTRANSULPA (Redenção), COOPERTASP (Xinguara), COPASUL (Marabá), COOMTAGP (Marabá), TRANSUL (Marabá) COOPERTRANS (Itaituba), COOCANVULP (Parauapebas), COOPERVARMI (Marabá), CINCOTRAN (Altamira) e COOPERMAG (Marabá).
“Nesse momento de crise, estamos nos reinventando. Não adiantar lamentar. Precisamos melhorar cada vez mais os nossos serviços e já conseguimos competir de igual para igual com outras empresas, levando vantagem na logística de viagem. Com a Central, o passageiro pode ter noção exata de saída e chegada no destino. Essa agilidade é fundamental”, explicou o presidente da CENCOPA, Valdemar Rodrigues.
As conexões já estão funcionando normalmente. A Central ainda está ajustando horários e rotas de alguns trechos, mas os serviços de transporte intermunicipal ocorrem diariamente em todos as cidades pertencentes ao raio de atuação das cooperativas. A projeção da CENCOPA é ampliar o número de filiadas para 25, chegando entre 1.200 e 1.500 associados até 2020.
QUALIDADE
Para aprimorar ainda mais a qualidade do serviço de suas filiadas, a diretoria da CENCOPA está articulando diversos projetos, captaneados pelo presidente Valdema pelo diretor administrativo Tarley Carvalho e pelo diretor financeiro Paulo Rogério. Dar-se-á continuidade no Programa de Profissionalização do Ramo Transporte do Sistema OCB/PA, com curso sobre as novidades normativas da ARCON para alinhamento e conscientização de todos os cooperados.
Outra novidade será o projeto de inserção de um atendimento diferenciado às pessoas surdas e mudas, que atualmente não possuem essa atenção das empresas e cooperativas. A falta os leva a enfrentar diversas limitações e dificuldades na contratação e uso dos serviços de transporte.
“Acompanhamos de perto a evolução que a CENCOPA tem obtido, especialmente sob a gestão da nova diretoria que está trabalhando para destravar as amarras históricas deste segmento. As ações estão fluindo e o resultado já está sendo colhido a partir da união de todos os cooperados. Estamos À disposição para auxiliar nesse desenvolvimento”, reiterou o presidente do Sistema OCB/PA, Ernandes Raiol.

Como forma de estimular a segurança alimentar e manter um estilo saudável, a comunidade europeia tem aumentado significativamente o consumo de alimentos orgânicos ou que sigam os padrões biológicos estabelecidos pela União Europeia (UE). Para se ter uma ideia dessa expansão, em 2016 só de produtos orgânicos foram vendidos 33,5 bilhões de euros, segundo dados divulgados em 2018 pela “The World Organic Agriculture, Emerging statistcs and trends 2018”. Outro aspecto que chama a atenção é que 90% dessa produção é realizada por agricultura familiar. Isso demonstra que, assim como no Brasil, é a agricultura familiar que abastece a mesa da população no velho continente.
O Brasil ocupa o 12º lugar em produção de orgânicos entre os principais produtores e 5ª na posição entre os países emergentes, atrás de Uruguai e Argentina, segundo o Centro de Inteligência em Orgânicos, da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA). A área plantada chega a 750 mil hectares. Para se ter uma ideia do quanto este número é promissor, o milho orgânico, por exemplo, até 2018 possuía uma área de 3,3 mil hectares, o que corresponde a 0,018% das lavouras ocupadas por cereais no país.
Em média, o mercado de orgânicos cresce 20% ao ano no Brasil. Em 2016, a venda alcançou a marca de R$2,5bilhões. Só de possuir a certificação de “alimento orgânico” o valor agregado aumenta também em 20%.
Outro aspecto importante é diversidade de alimentos brasileiros. O mercado europeu está aberto a gama de sabores, cheiros e riquezas nutricionais de nossos vegetais, em especial frutas e hortaliças. “Há muitos alimentos inéditos para nós aqui na Amazônia. É preciso que vocês estejam atentos a esse mercado que o acordo entre o Mercosul e a EU irá possibilitar”, afirma Daniel Gomez Lopez, diretor de Pesquisa Internacional de Cooperativismo, Desenvolvimento Rural e Empreendimentos Solidários na UE e na América Latina da Universidade de Alicante, da Espanha.
Familiar
Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), 90% das propriedades agrícolas mundiais são geridas por famílias. Essas propriedades são responsáveis por 75% de todos os recursos agrícolas globais. Isso representa 80% dos alimentos em todo o planeta, o que significa que as estratégias de desenvolvimento sustentável ambiental, social e econômico passam, necessariamente, pela agricultura familiar.
No Brasil, de cada dez alimentos que abastecem a mesa dos brasileiros, sete vêm de propriedades pequenas, as quais empregam cerca de 5 milhões de famílias e geram um faturamento de US$55 bilhões. Como forma de incentivar e valorizar esse segmento produtivo, a legislação brasileiras determina que 30% da merenda escolar seja proveniente de agricultura familiar.
Estratégia
Para alcançar mais mercados, a organização em cooperativas tem se mostrado cada vez mais promissora. Informações do Sindicado e Organização das Cooperativas Brasileiras do Estado do Pará (Sistema OCB/PA) apontam que 98% das cooperativas agropecuárias são compostas por produção familiar.
“Ao unir os produtores em uma cooperativa é possível estabelecer uma série de ganhos administrativos e de competitividade de mercado, a exemplo dos mercados tanto da merenda escolar quanto da UE e dos países do próprio Mercosul. Estamos com a fronteira cada vez mais aberta, mas é preciso estarmos prontos”, enfatiza Ernandes Raiol, presidente do Sistema OCB/PA.
Neste final de semana, as cooperativas da agricultura familiar tiveram um destaque especial no jornal Diário do Pará. Isso porque, por meio da articulação do Sistema OCB/PA com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e Pesca (Sedap), os produtores paraenses, organizados em cooperativas, terão acesso a laboratório credenciado para classificação de farinha. A Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará) será a primeira entidade credenciada para realizar esta classificação.
A matéria completa está no Diário do Pará deste domingo (25/08) ou pelo link: http://paracooperativo.coop.br/noticias/791-laboratorio-da-adepara-classificara-farinha-de-cooperativas.
Chorume, poluição e proliferação de pragas são alguns problemas decorrentes do descarte incorreto de lixo orgânico nos aterros sanitários e que têm preocupado a população de Vigia, região nordeste do Pará. Para minimizar esses impactos, a Cooperativa dos Catadores de Materiais Recicláveis de Vigia de Nazaré (Recicron) está expandindo as atividades para o reaproveitamento do material orgânico por meio da produção de adubo.
Segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a fração orgânica contribui com aproximadamente 52% do volume total dos resíduos. A Recicron vê nesse material um imenso potencial de geração de emprego e renda para a região, aliado à sustentabilidade.
“Atualmente o material orgânico está sem destinação, sem gerar renda, sem perspectiva nenhuma de contribuição econômica para o município. E isso é um grande desperdício, porque esse material pode ser reaproveitado através da compostagem, que é o processo biológico de decomposição e de reciclagem da matéria orgânica contida em restos de origem animal ou vegetal, formando um composto rico em nutrientes, empregando e gerando renda para os cooperados”, explica Damiana Silva, diretora da Recicron.
A diretora destaca ainda que essa expansão irá distribuir o adubo e assim estimular os agricultores urbanos a produzir alimentos para abastecer cooperativas parceiras como a Cooperativa Agropecuária do Salgado Paraense (Casp), promovendo a integração e gerando renda para o município.
A Recicron já tem uma história de 8 anos de contribuição para Vigia. São coletados todos os meses cerca de 80 toneladas de resíduos sólidos, além de 24 toneladas de ossos bovinos e 4 mil litros de óleo, que são comercializados com indústrias e empresas de dentro e fora do Estado. A cooperativa faz a coleta seletiva e orienta a população acerca das melhores práticas ambientais de tratamento de lixo.
“A Recicron é um exemplo de cooperativismo, aplica os princípios de interesse pela comunidade e intercooperação. Isso valoriza ainda mais o seu o belo trabalho. O Sistema OCB/PA apoia esse tipo iniciativa. Estamos estudando a melhor maneira de contribuir para essa nova fase da Recicron e fortalecer esses laços de intercooperação”, enfatiza Ernandes Raiol, presidente do Sistema OCB/PA.
Curralinho, Melgaço, São Sebastião da Boa Vista, Castanhal, Parauapebas e Limoeiro do Ajurú serão alguns dos municípios atendidos pelo Sistema OCB/PA durante esta semana. Além de visitas técnicas, palestras e cursos de capacitação, o destaque é o 12º Seminário Internacional de Desenvolvimento Rural Sustentável, Cooperativismo e Economia Solidária, que ocorre a partir de amanhã em Castanhal.
Fique por dentro das nossas atividades. Veja a programação do seu município!
#ocbsescooppa #capacitandoparacrescer


A iniciativa transformará a realidade de pequenos produtores familiares em nove municípios paraenses, ampliando significativamente o potencial de produção, armazenamento e comercialização das cooperativas associadas. O objetivo é a melhoria no posicionamento de mercado. Em reunião na última quarta (21), a comissão de constituição aprovou a minuta do estatuto social, que será apresentado em assembleia geral extraordinária em cada cooperativa participante. A Assembleia de constituição deve ocorrer no dia 1º de outubro.
Estão participando do processo e podem compor a Central as cooperativas COOPRIMA de Primavera, CASP de Vigia, COOPABEN de Benevides, AMAZONCOO de Castanhal, COOMAC de Curuçá, COOPASMIG de São Miguel, D’IRITUIA e COAPEMI de Irituia, CAMTA de Tomé-Açu e CCAMPO de Santarém. Após a pré-aprovação do estatuto social, cada cooperativa reunirá os cooperados e se definirão as singulares que realmente farão parte da Central.
“Nossa expectativa não é de hoje. Estamos trabalhando com essa ideia há um bom tempo, pois reconhecemos a sua importância para a mudança do patamar do ramo agro. Sem essa união, não teremos como atingir os grandes mercados da região metropolitana. Precisamos ampliar a intercooperação para alavancarmos os rendimentos das nossas cooperativas”, reiterou o presidente da CASP, Antônio Alcoforado.
A Central fará o beneficiamento, armazenamento e comercialização da produção de suas associadas a varejo e atacado, a nível nacional e internacional promovendo o desenvolvimento da fabricação de conservas de frutas, sucos concentrados, hortaliças e legumes. Na área de comércio varejista, abrangerá hortifrutigranjeiros, mel, laticínios e frios, doces, balas, bombons e produtos alimentícios em geral.
Na área de comércio atacadista, trabalhará com frutas, verduras, raízes, tubérculos, hortaliças e legumes frescos, mel, pescados e frutos do mar, leite e laticínios e mercadorias em geral, com predominância de insumos agropecuários, defensivos agrícolas, adubos, fertilizantes e corretivos do solo. A Central também terá serviços de agronomia e de consultoria às atividades agrícolas e pecuárias, fabricação de produtos derivados do cacau e de chocolates, produção de mudas e outras formas de propagação vegetal certificadas.
A criação da Central está seguindo o cronograma de um mapa estratégico. Concomitantemente às assembleias internas, será feito o levantamento do potencial produtivo que as cooperativas terão juntas. O foco é a região nordeste, por conta de mercados específicos que pretende atuar como prefeitura de Belém, SEDUC, bares e restaurantes. No entanto, algumas cooperativas de outras regiões já demonstraram interesse em participar, como a CCAMPO do oeste paraense.

Para a presidente da COOPABEN, Eulina Duarte, a Central dará maior estabilidade para a comercialização, especialmente em períodos sazonais de queda na procura do mercado. “Nosso principal mercado é a merenda escolar. Janeiro, fevereiro e julho, por exemplo, são meses caóticos, pois não se tem pra quem vender e perdemos produção. Com a Central, já não teremos o prejuízo de produtos, porque sempre teremos escoamento”.
Já a presidente da COOPRIMA de Primavera, Joelma Nunes, vislumbra a possibilidade de alcançar até mesmo mercados externos. “Na nossa cooperativa, temos um mix de produtos no hortifrutigranjeiro e estamos migrando para a estação de óleos vegetais. Creio que o crescimento no volume produtivo agregado às demais cooperativas possibilitará até mesmo a exportação para o mercado nacional e internacional. Por isso, abraçamos a causa e convocamos as demais cooperativas para que se unam a nós neste desafio”.
A CENTRAL
A Central das Cooperativas de Agricultura Familiar do Estado do Pará (Agro-Amazônia) terá por objetivo contribuir no fortalecimento do cooperativismo ligado à produção familiar, na representação política em defesa de seus interesses sociais, assistenciais e econômicos, contribuindo com diversas ações.
“Além da área comercial, a Agro-Amazônia será muito importante para a representação da produção familiar, fixação com qualidade de vida do agricultor em sua propriedade e para o desenvolvimento de uma agricultura familiar ecologicamente sustentável, economicamente viável socialmente justa e culturalmente aceitável. Continuaremos acompanhado esse processo, entendendo que a união é o caminho mais promissor para o crescimento dos pequenos produtores”, explicou o presidente do Sistema OCB/PA, Ernandes Raiol.
Nesta quinta-feira (22), o Sistema OCB/Ro e a Confederação Alemã de Cooperativas (DGRV) realizam um workshop sobre a Constituição de Cooperativas de Geração Distribuída por Energia Solar Fotovoltaica, em Ji-Paraná, Rondônia. O evento será no auditório do Maximus Hotel e é aberto a cooperativas e demais interessados na temática. O objetivo é elucidar sobre o uso da energia solar – uma fonte limpa e renovável – como uma alternativa ambientalmente sustentável para a geração de energia elétrica.
O presidente e fundador da Coober, Raphael Vale, apresentará o case sobre a história, os desafios e nova realidade da geração distribuída no mundo. Fundada em fevereiro de 2016 com 23 cooperados distribuídos no Pará, Ceará e Brasília, a Coober é a primeira cooperativa de energia renovável do Brasil e é referência no mundo sobre essa experiência.
Mais informações: https://www.sescoop-ro.org.br/
Texto: Fernando Assunção
A partir de 1º de janeiro de 2020, o sistema cooperativista terá um novo formato de acordo com os segmentos econômicos. 
A partir da análise técnica das atividades exercidas, as cooperativas foram classificadas em ramos de acordo com o segmento econômico em que atuam. Esse modelo ajudou na expansão e capilarização das cooperativas brasileiras, pois permitiu organizar internamente as ações e planejar melhor as suas atividades. A contar de 1º de janeiro de 2020, as quase sete mil cooperativas presentes no país serão reorganizadas em apenas sete ramos. Todos eles ganharam novos ícones, alguns foram ressignificados e outros se fundiram.
Esse debate foi iniciado em 2018, quando foi montado um grupo de trabalho técnico formado por representantes indicados pela diretoria da OCB para rediscutir a organização dos segmentos produtivos. Depois de um longo processo de estudo, foi formulada uma proposta, amplamente discutida pelas diretorias estaduais e nacional da OCB, até ser referendada em Assembleia Geral da OCB.
“Formar ramos mais fortes e com maior representatividade, tornar-se uma organização mais flexível para se adaptar as rápidas mudanças de mercado e alinhar o discurso são os objetivos dessa nova configuração”, afirmou Ernandes Raiol, presidente da OCB/PA.
A reorganização dos ramos levou em consideração a legislação societária e específica, a regulação própria, o regime tributário, o enquadramento sindical e a quantidade das cooperativas por ramo. É importante frisar que, para as cooperativas que tiverem enquadradas em ramos que se unirão, não haverá necessidade de qualquer ajuste estatutário ou legal.
Veja como ficarão os ramos a partir da nova organização:
Ramo Agropecuário: representa as cooperativas que se destinam a prestação de serviços relacionados às atividades agropecuária, extrativista, agroindustrial, aquícola ou pesqueira, cujos cooperados detêm, a qualquer título, os meios de produção. Passa a integrar as cooperativas de alunos de escolas técnicas de produção rural.
Ramo Consumo: composto por cooperativas que se destinam à compra em comum de produtos e serviços para seus cooperados. Engloba também parte das cooperativas do então Ramo Educacional, formada por pais e alunos, e as do Turismo e Lazer, na modalidade em que os cooperados, por intermédio das cooperativas, adquirem serviços turísticos.
Ramo Infraestrutura: composto pelas cooperativas que se destinam a promover a prestação de serviços relacionados à infraestrutura de seus cooperados. Passa a englobar também as cooperativas do ramo habitacional.
Ramo Trabalho, Produção de Bens e Serviços: composto por cooperativas que se destinam a prestação de serviços especializados a terceiros ou a produção em comum de bens. Com a reorganização este ramo passa a integrar os Ramos Trabalho, Produção, Mineral, Especial e parte do Turismo e Lazer, representado pelas cooperativas de profissionais do turismo, e parte do Educacional, das cooperativas de prestadores de serviços educacionais.
Ramo Saúde: composto por cooperativas que se destinam a serviços destinados à preservação, assistência e promoção da saúde humana, constituídas por profissionais da área da saúde ou usuários destes serviços. Engloba cooperativas de médicos e de todas as profissões classificadas como atividades de atenção à saúde humana e, também, as cooperativas de que se reúnem para constituir um plano de saúde.
Ramo Transporte: composto por cooperativas que se destinam à prestação de serviços de transportes de carga e/ou passageiros, cujos cooperados detêm, a qualquer título, a posse ou propriedade dos veículos. Passa a integrar também as cooperativas do Ramo Turismo e Lazer relacionadas ao transporte turístico de passageiros.
Ramo Crédito: composto por cooperativas que se destinam à prestação de serviços financeiros a seus cooperados, sendo assegurado o acesso aos instrumentos do mercado financeiro.
Texto: Fernando Assunção
Universidades da França, Espanha, Portugal e Equador estarão representadas no 12º Seminário Internacional de Desenvolvimento Rural Sustentável, Cooperativismo e Economia Solidária (SICOOPES). A programação será no Instituto Federal do Pará (IFPA) – campus Castanhal de 27 a 31 de agosto. Serão debatidas temáticas relativas ao mercado, produção e inovações tecnológica no evento que já é referência em produção de conhecimento interinstitucional.
O evento possui uma extensa programação. Haverá mesas de debate, minicursos, oficinas, apresentações culturais e artísticas, mostras de tecnologia e inovações sociais da Amazônia paraense, encontros, plenárias e apresentação de trabalhos científicos. Também ocorrerá uma sessão especial de homenagens aos 10 anos do SICOOPES no IFPA Campus Castanhal.
“Nosso objetivo é trocar experiências das nossas realidades produtivas, desafios e soluções. Afinal, sem cooperação não há desenvolvimento, não há qualidade de vida real, não há humanidade”, afirma Daniel Gomez Lopez, diretor de Pesquisa Internacional de Cooperativismo, Desenvolvimento Rural e Empreendimentos Solidários na UE e na América Latina da Universidade de Alicante, da Espanha.
No dia próximo dia 29, o painel temático 9 abordará o tema: Cooperativismo, Desenvolvimento Rural e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), com a participação dos consultores da OCB/PA, Andreos Ramiro Pinto Leite e Camille Benchimol; o professor da UFRA, Dr. José Sebastião e o mediador do painel, Prof. Dr. Adebaro Alves dos Reis do IFPA.
Na edição de 2018, foram 1.200 inscritos, mais de 500 trabalhos científicos inscritos. Um recorde para o evento. “A cada ano, este Seminário ganha mais importância e força. Nosso objetivo é repensar a agricultura para os próximos 10 anos, com uma educação diversa, entendendo e propondo um modelo de inclusão para os movimentos sociais e sociedade em geral. É imprescindível pensar em um tipo de pesquisa que saia dos muros da academia e vá direto para o problema das pessoas. Isso é possível quando se considera um foco de seleção, de inserção, de ensino, de pesquisa e de extensão”, ressalta Adebaro Reis, diretor geral do IFPA Castanhal.
Serviço: Para acessar a programação completa do XII Seminário Internacional de Desenvolvimento Rural Sustentável, Cooperativismo e Economia Solidária (XII SICOOPES) e a III Feira de Ciência, Tecnologia e Inovação Social (III FECITIS) clique aqui. Inscrições gratuitas pelo site https://www.even3.com.br/sicoopes/.

Ao longo do Estado, mais de 6 mil pessoas têm acesso a um crédito mais justo e democrático através da SICOOB Unidas. O quadro social da cooperativa obteve um crescimento de 56% desde 2015, evolução que a nova gestão dará continuidade nos próximos quatro anos. A cerimônia de posse do novo Conselho de Administração para 2019/2023 ocorreu ontem, na sede do Sistema OCB/PA.
Na ocasião, o primeiro presidente da história da singular, Carlos Edilson Santos, passou oficialmente a presidência para Manoel Martins, que já fazia parte do CONAD. Além de ambos, também compõem o Conselho: Lázaro Silva, Manoel Martins, Manoel Valdeci, Maria José do Nascimento, Marcio Felipe Bechara, Michel Kozak e Nelson Ribeiro.
A SICOOB Unidas trabalha no intuito de ser a principal instituição financeira de seus cooperados, ofertando soluções financeiras mais vantajosas, a segurança garantida pelos órgãos reguladores e a possibilidade de retorno proporcional ao uso. Essa missão vem sendo construída ao longo dos últimos anos, quando tivemos um crescimento de 56% no volume de recursos administrados.
“Tive a honra de conduzir nossa cooperativa ao longo desses anos, com o apoio do conselho e dos nossos cooperados. Não tenho dúvidas de que temos condições de nos tornarmos uma das maiores cooperativas financeiras do Pará”, enfatizou Carlos Edilson.
No planejamento estratégico para o mandato, a gestão projeta um crescimento de 113% até 2022 com 13.953 cooperados, apostando em uma estratégia agressiva de captação de novos sócios e ampliação do portfólio de soluções. O foco principal será o atendimento a pessoas físicas, micro e pequenas empresas, base da economia no Pará que representa o público potencial de maior abrangência. O foco secundário será direcionado às pessoas jurídicas de médio porte, seguindo-se de pessoas jurídicas vinculadas a instituições públicas.

Atualmente, a SICOOB Unidas está presente em seis municípios com sete agências instaladas: Belém, Ananindeua, Marituba, Santa Izabel, Abaetetuba e Barcarena. A proposta é aumentar o número de agências em 114%, chegando a 15 PAs em 2022. Capanema e sua área de influência é um dos potenciais municípios para os quais a SICOOB Unidas projeta expandir ainda este ano. Desde 2015, a cooperativa obteve um crescimento de 600% em número de pontos de atendimento, uma média de dois PAs por ano.
“O desafio é grande, mas nosso objetivo é tornar a SICOOB Unidas ainda maior. O pensamento do Conselho está alinhado nesse sentido, compomos uma diretoria executiva extremamente qualificada e, junto a parceiros, atingiremos esses objetivos", enfatizou o presidente empossado, Manoel Martins.

A COOPERATIVA
A SICOOB Unidas foi constituída por decisão de dirigentes de oito cooperativas, que optaram pela incorporação: Sicoob Educ, Cooperação, Eletrocred, Coopemater, Coocelpa, Cooperdados, COOCPRM e Sicoob Federal. Foi um movimento inédito no Pará, estimulado pelo visão empreendedora das cooperativas que buscavam fortalecimento frente ao mercado. No total, já são mais de 6 mil associados.
“Estamos à disposição para auxiliar a cooperativa no que for necessário. O Estado é muito grande e vamos rodar juntos para levar as soluções do cooperativismo financeiro aos 144 municípios do Pará”, reiterou o presidente do Sistema OCB/PA, Ernandes Raiol.

A Cooperação Internacional Alemã (GIZ), em parceira com o Ministério da Agricultura, Ministério da Cidadania e com o Sistema OCB/PA, realizou uma Oficina sobre Compras Institucionais, na última semana na sede do Sistema em Belém. A programação orientou pregoeiros, membros de comissões de licitação e contratos e demais envolvidos com a aquisição de alimentos em instituições públicas. O objetivo foi de aprimorar o acesso das cooperativas da agricultura familiar ao mercado institucional.
Há alguns anos, a discussão e ampliação desse mercado público vêm sendo o foco da GIZ em parceria com o Sistema OCB/PA. Isso porque os produtos das cooperativas são produzidos 90% por produtores familiares com a perspectiva livre de agrotóxicos e produção ambientalmente sustentável. “As cooperativas estão trabalhando no sentido de fomentar a produção com o mínimo de insumo químico. Isso demonstra uma preocupação tanto com o meio ambiente quanto com a saúde humana”, disse Gustavo Assis, consultor da GIZ.
Mercado
A Lei 11.947/2009 determina que no mínimo 30% do valor repassado a estados e municípios pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para a alimentação escolar deve ser utilizado na compra de gêneros alimentícios provenientes da agricultura familiar. O governo municipal ou estadual recebe o recurso e seleciona através de licitação ou chamada pública os fornecedores dos alimentos. O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), instituído pelo art. 19 da Lei nº 10.696, também prevê o percentual mínimo destinado à aquisição de gêneros alimentícios de agricultores familiares e suas organizações, promovendo o abastecimento alimentar por meio de compras governamentais.
“O que acontece em muitos casos é que em alguns locais há uma dificuldade de encontrar fornecedores aptos para poder atender a essa parcela de 30%. A partir do entendimento de como funcionam essas chamadas públicas, do que é necessário, será possível ampliar esses mercados para as cooperativas”, afirma Ernandes Raiol, presidente do Sistema OCB/PA.
Também estiveram presentes representantes de prefeituras, Governo do Estado, profissionais da área da saúde e alimentação, Ufra e UFPA.
Texto: Fernando Assunção e Ísis Margalho
Cerca de 300 mil unidades de merenda escolar são fornecidas pela SEDUC diariamente, volume expressivo de mercadorias que podem ser viabilizadas pelas cooperativas agropecuárias. O acesso a esse mercado institucional, além das instituições de saúde e penitenciárias, será aprimorado com a inclusão da COOMAC Curuçá no Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável (CONSEANS).
A cooperativa fará parte da Comissão de Intersetorialidade de Programas, Projetos, Planos e Ações e da Comissão de Planejamento e Acompanhamento da Gestão da Política de Segurança Alimentar e Nutrição Sustentável. Serão discutidas estratégias sustentáveis de acesso, abastecimento, produção e comercialização de alimentos.
“A ideia de estarmos no colegiado, sobretudo da comissão de projetos, é trabalhar as vendas institucionais não só da nossa cooperativa, mas das demais. O volume de compras para fomentar toda essa alimentação é bem considerável e pulverizado. Nossa ideia é viabilizar mercado para as cooperativas do ramo, mais um segmento que nós, agricultores, teremos para vender”, explicou o representante do cooperativismo no CONSEANS, Charles Cardoso.
Como demanda inicial, já foi solicitado que a Comissão coloque em pauta as vendas institucionais para discussão. As demais cooperativas serão convidadas para participar. Também serão analisadas as demandas do Governo na formulação dos projetos, de modo que possa incluir o segmento cooperativista na compra institucional.
O CONSEANS é órgão colegiado permanente do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SESAN) instituído pelo decreto 929 de 2008. Tem caráter deliberativo e consultivo atuando na formulação e proposição de estratégias e no controle da execução da política de segurança alimentar sustentável, buscando sustentabilidade e a garantia do direito humano à uma alimentação adequada.
O Conselho reúne representantes do fórum de segurança alimentar, centrais sindicais e federação dos trabalhadores da agricultura, indústria e alimentação, representantes do fórum da economia solidária, segmento dos quilombolas, organizações indígenas, caboclos extrativistas, conselhos de classe, entidade de pesca, pessoas com deficiência, aposentados e pensionistas, gênero de mulheres e rede de educação cidadã.
“Estamos desenvolvendo diversas frentes de trabalho no intuito de estimular as vendas institucionais, que são um importante canal de comercialização para as cooperativas. A inclusão de um representante cooperativista no CONSEANS nos dá maior respaldo para discutirmos a necessidade do cumprimento legal, no que tange à compra de no mínimo 30% da agricultura familiar, encabeçada no Estado pelas cooperativas”, explicou o presidente do Sistema OCB/PA, Ernandes Raiol.

A Cooperativa Agropecuária de Benevides (COOPABEN) está em fase de constituição da nova fábrica de produção de polpas, devidamente legalizada como artesanal. Para potencializar a produção, a diretoria já agendou o curso “Boas Práticas na fabricação da Agroindústria” a ser ministrado pelo Sistema OCB/PA e Nós Consultoria. O diretor Moacir Miranda também alinhou sobre a constituição da Central de Cooperativas da Região Nordeste, que fortalecerá o ramo.
Formada por 28 cooperados, a COOPABEN trabalha com verduras e legumes como couve, espinafre, rúcula, hortelã, abobora, manjericão e cheiro verde, assim como as frutas banana, manga, goiaba, melão, melancia, abacate e acerola. A partir da união dos produtores, a cooperativa atende ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), abastecendo escolas públicas com itens da merenda escolar, que é o principal mercado, além de feiras em Belém. O volume produtivo anual de couve e cheiro verde, carro chefe da cooperativa, chega a 5 toneladas.
As metas estratégicas para a COOPABEN, ao longo deste ano, é alinhavar todos os cooperados na produção orgânica e constituir uma Central Agropecuária com outras singulares da região metropolitana e nordeste do Estado. A intenção é ampliar as possibilidades de acesso ao mercado com o fortalecimento representativo das cooperativas, oferecendo volume, variedade e segurança produtiva.
“Estamos acompanhando esse processo, na expectativa de que o trabalho se desenvolva. Enquanto isso focamos na qualificação profissional de cooperados e colaboradores para que se adequem Às exigências de mercado, ampliando ainda mais a participação da cooperativas na economia estadual”, enfatizou o presidente do Sistema OCB/PA, Ernandes Raiol.

Através de articulação do Sistema OCB/PA com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e Pesca (SEDAP), os produtores paraenses, organizados em cooperativas ou não, terão acesso a laboratório para classificação de farinha. Essa era uma das principais demandas levantadas pela agricultura familiar paraense que dificultava a abertura de mercado. A Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (ADEPARÁ) será a primeira entidade credenciada para realizar a classificação.
O Sistema OCB/PA apresentou à SEDAP o trabalho que vem desenvolvendo para o fortalecimento das cooperativas junto a mercados institucionais, como o PAA. Na chamada pública do Exército, por exemplo, as cooperativas foram contempladas para fornecer alimentos à instituição e um dos requisitos legais é a entrega de certificação da classificação da farinha em grupo. No entanto, não existe qualquer laboratório no Pará credenciado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).
As discussões foram feitas durante os workshops de compras públicas promovidos pelo Sistema OCB/PA nas regiões polo do Estado, assim como no Seminário Internacional do Cooperativismo ocorrido em abril no município de Castanhal. A partir de então, o Sistema OCB/PA, em parceria com a Nós Soluções, iniciou a articulação política junto à SEDAP, conquistando assento na Câmara Técnica de Comercialização, Agroecologia, Produtos Orgânicos e da Sociobiodiversidade (CTCAPOS). José Romano, diretor da D’Irituia e professor da UFRA/CCP, é o representante da entidade.
“Nas reuniões, apresentamos as ações desenvolvidas pelo Sistema OCB/PA e as demandas levantadas pelas cooperativas. Era preciso contratar laboratórios de fora do estado para realizar uma atividade que é possível de ser feita aqui. Submetemos, portanto, a possibilidade do credenciamento do laboratório da ADEPARÁ, que já possui estrutura próxima ao que é necessário”, explicou José Romano.
Em reunião ocorrida na terça (13), definiu-se que a SEDAP, ADEPARÁ e MAPA credenciarão o laboratório da Agência para o atendimento do produtor paraense. Será feita a classificação da farinha em grupo, classe e tipo conforme exigência da instrução normativa nº 52 de 2011. O regulamento técnico da farinha de mandioca considera requisitos como qualidade e identidade.
O estado do Pará é o maior produtor de mandioca do Brasil, representando sozinho 20,55% da fatia nacional com produção de mais de R$ 4 milhões de toneladas no último levantamento da EMBRAPA, respondendo ainda por 57% da produção e mais de 60% em relação à área plantada na região Norte.
A mandioca possui uma vasta gama de derivados com destaque para o tucupi, maniva, goma de tapioca, farinha de tapioca e especialmente a farinha de mandioca e suas variações que, por sua vez, representa o produto com maior poder de mercado e com laços fortes na cultura alimentar do povo paraense.
Outra proposta do Sistema OCB/PA é descentralizar o processo de classificação para universidades e campi em polos regionais. Também serão cadastrados os laboratórios da UFPA, UFRA e IFPA Castanhal. “A ADEPARÁ será o nosso processo piloto, mas acreditamos que é possível aumentar a capilaridade dos serviços através dessa inclusão da comunidade científica. Algumas universidades já desenvolvem a classificação da farinha e podem também contribuir neste sentido”, reiterou Andreos Leite, consultor do Sistema OCB/PA.

Compras públicas
Diversas cooperativas já possuem boa abertura no mercado institucional. A cooperativa D’Irituia conseguiu acessar chamada pública da UFRA com valor de aproximadamente R$ 35mil. Já a Coopasmig teve acesso ao PAA junto às forças armadas. Será feita uma entrega de farinha para o exército no valor de 13,5 toneladas.
“Nossa linha de trabalho com as cooperativas agropecuárias visa a organização social, abertura de mercado e aproximação de parcerias estratégicas. Agradecemos ao esforço da SEDAP, representada pelo titular Hugo Suenaga. Temos muito trabalho a ser feito e, juntos, mudaremos o patamar socioeconômico dos pequenos produtores”, reiterou o presidente do Sistema OCB/PA, Ernandes Raiol.
Para as cooperativas que realizaram ações para do Dia de Cooperar 2019, o Sistema OCB-PA estendeu até o dia 22 de agosto o preenchimento do formulário de resultados no site do Dia C. Em 2019, as iniciativas ocorreram em vários municípios do Estado com a participação de cooperativas dos mais variados segmentos econômicos.
Segundo Diego Andrade, coordenador estadual da campanha Dia de Cooperar, é muito importante que as cooperativas apresentem os resultados das iniciativas realizadas nesta edição. "O nosso voluntariado cooperativista tem apresentado ações incríveis em todo o nosso Estado. Chegou a hora de mostrarmos isso para o Brasil", afirma.
Caso as cooperativas não preencham o formulário do site, o resultado deixará de ser contabilizado na Revista Dia de Cooperar 2019, publicação nacional que apresenta os resultados da campanha de todo o país.
Serviço: Dúvidas ou mais informações: (91) 3241-4140 ou clique aqui para acessar o site do Dia C
Consolidar e expandir esses são os objetivos gerais da Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop) proposta pela deputada estadual Nilse Pinheiro e aprovada nesta quarta (14), no plenário da Assembleia Legislativa.
Na tribuna, Nilce destacou a importância econômica e social da atuação das cooperativas no Estado. No Brasil, são 6.655 cooperativas que atuam em diferentes segmentos econômicos, como agropecuário, prestação de serviços, saúde e infraestrutura, e congregam 13,2 milhões de associados, gerando 376,7 mil empregos diretos segundo dados da Organização das Cooperativas Brasileiras (Sistema OCB).
“Precisamos promover o desenvolvimento sustentável em consonância com os princípios do cooperativismo, como democracia, participação econômica e autonomia”, afirmou a deputada.
O deputado Dirceu Ten Caten lembrou do papel decisivo do cooperativismo no desenvolvimento econômico dos estados do sul do país e prestou apoio irrestrito à conformação da Frente. “O cooperativismo é uma forma factível de unir as pessoas em prol de um empreendimento coletivo”.
O cooperativismo é uma das apostas para a geração de renda e emprego, por meio do empreendimento coletivo. Nele é possível a união de pessoas que tenham um objetivo comum em prol de um negócio próprio. “É muito mais fácil 20 pessoas se juntarem, compartilharem estrutura e custos e levantar um negócio do que uma pessoa sozinha. Essa é a base do cooperativismo”, explicou Ernandes Raiol, presidente Sistema OCB-PA.
A partir da criação da Frente, será possível regulamentar a Lei do Cooperativismo Paraense que irá abrir caminho para a participação efetiva das cooperativas em processos licitatórios, diferimentos e incentivos fiscais para determinados segmentos cooperativistas, a exemplo da Cooperativa Coostafe, a primeira singular formada por detentas no Brasil. “A Coostafe é um exemplo de como, na prática, o cooperativismo age na vida das pessoas. Por meio de uma inciativa inteligente do sistema penitenciário paraense reuniu-se 20 mulheres cerceadas de sua liberdade para que elas pudessem ter uma renda própria e ter uma renda, subsistência, significa ter dignidade”, ratificou Raiol.
Dados do Sistema OCB-PA apontam que o índice de reincidência criminal das cooperadas da Coostafe é zero.
Familiar
Outra importante vertente cooperativista paraense é o agropecuário: 80% das cooperativas agro no Estado são compostas por agricultura familiar. Uma delas, a Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu (Camta) é a primeira cooperativa estabelecida no Pará no início do século 20 por imigrantes japoneses. A Camta é conhecida mundialmente pelo Sistema Agroflorestal (Safta), que produz várias culturas no mesmo meio ambiente, como forma de propiciar as barreiras naturais da floresta amazônica.
“Quando chegamos aqui, observamos que o caboclo paraense plantava tudo junto e dificilmente a plantação sofria com pragas. Foi a partir desse modo de produção, que respeita a diversidade de culturas que estabelecemos o Safta”, ressaltou Michinore Konagano, cooperado da Camta.
Por se tratar de uma produção basicamente familiar, há maior diversificação de alimentos e a maioria de desses alimentos é que vai para a mesa das pessoas nos centros urbanos. “Isso impacta diretamente na questão da segurança alimentar de toda a população e no desenvolvimento do território onde estão as cooperativas, que ultrapassa a questão da geração de renda e emprego e passa a viabilizar riqueza, porque todo o território passa a ser beneficiado por essa cadeia produtiva e econômica”, finalizou Romier da Paixão Sousa, professor do IFPA de Castanhal.
Texto: Fernando Assunção e Ísis Margalho

Responsável por cerca de 25% do total de cooperativas no Estado, o ramo transporte receberá Programa desenvolvido pelo Sistema OCB/PA para o aprimoramento da gestão e profissionalização dos cooperados. O primeiro projeto é o Curso Itinerante “Transporte Coletivo de Passageiros”, que será realizado em quatro regiões e 9 municípios. Itaituba iniciou o ciclo de capacitações nesta segunda (12), seguindo até hoje.
O objetivo do Programa é aproximar ainda mais o Sistema OCB/PA das cooperativas de transporte, fazendo com que utilizem a entidade como um suporte para desenvolver o seu negócio. Será aprimorada a qualidade do atendimento, o processo de gestão das cooperativas, manutenção da identidade para alinhamento com as diretrizes da legislação e formação em cooperativismo para novos associados.
Em levantamento prévio feito com as singulares do ramo, identificou-se que uma das demandas emergenciais é a certificação dos cooperados no curso de Transporte Coletivo de Passageiros. A Diretoria da CENCOPA, representada por Valdemar Rodrigues, Tarley Carvalho e Paulo Santos, foi quem suscitou a demanda e participará das ações nas cooperativas. A capacitação é obrigatória para os condutores e deve ser renovada a cada cinco anos. Todas as despesas serão custeadas pelo Sistema OCB/PA.
“É muito importante que nossas cooperativas participem. Como representante do ramo, estarei acompanhando o andamento das atividades e escutando as principais demandas dos cooperados. Tenho certeza que é um momento novo que se inicia com um transporte organizado, qualificado e competitivo”, enfatizou o representante do ramo transporte e presidente da CENCOPA, Valdemar Rodrigues.
Um dos grandes diferenciais é a dinâmica itinerante do projeto. Anteriormente, os condutores deveriam se deslocar para as cidades polo que possuem unidade do SEST SENAT, como Altamira, Santarém e Belém. O Sistema OCB/PA contratou Centro Formador que irá até o município para realizar a ação.
Além de Itaituba nos dias 12 e 13 de agosto, Altamira recebe a ação nos dias 15 e 16, Novo Repartimento nos dias 17 e 18, Tucuruí nos dias 19 e 20, Marabá nos dias 22 e 23, Xinguara nos dias 24 e 25 e Parauapebas entre 27 e 30 de agosto. Também estão programadas mais duas ações para setembro em Aurora do Pará e Dom Elizeu. A meta é capacitar aproximadamente 300 cooperados de 15 cooperativas com um total de 9 ações.
Cerca de 65% das cooperativas de transporte do Estado operam com a condução coletiva de passageiros, o que demanda qualificação para um serviço eficiente e seguro. Tal necessidade foi regulamentada na resolução 168 do CONTRAN, através da qual o motorista é obrigado a ter o curso específico de condução.
Todas as cooperativas de transporte, seja alternativo ou intermunicipal, com capacidade superior a sete passageiros são obrigadas a participar. O profissional não habilitado com as informações na carteira de motorista, se for fiscalizado por qualquer órgão regulador, sofrerá multa por desenvolver a atividade sem ter o treinamento exigido por norma.
No conteúdo programático, são trabalhados quatro módulos com os temas: legislação de trânsito específica, direção defensiva, noções de primeiros socorros, respeito ao meio ambiente e convívio social e relacionamento interpessoal.
OUTEIRO
As cooperativas da região metropolitana também estão previstas no Programa de Profissionalização. Em Outeiro, está sendo elaborado um plano de viabilidade para o mapeamento das áreas a serem atendidas para alimentação rodoviária do BRT. Após o estudo técnico, será feito um plano de ações para apoio político com o objetivo de incluir as cooperativas na regulamentação do serviço.
“Projetamos um programa que pudesse alcançar as cooperativas como um todo, cujo objetivo era realmente nos aproximar ainda mais do ramo transporte. Conhecemos as principais demandas e é em cima delas que vamos trabalhar, de modo que as singulares mudem seu patamar de profissionalização e o segmento seja ainda mais reconhecido por sua expressividade”, afirmou o presidente do Sistema OCB/PA, Ernandes Raiol.