Cooperativas do Pará estarão presentes com produtos, cultura e desenvolvimento sustentável na maior feira indoor do agronegócio brasileiro e uma das principais vitrines de negócios, inovação e desenvolvimento do setor agropecuário nacional. Realizado entre os dias 25 e 27 de junho, no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza, o evento marca uma nova fase do tradicional PEC Nordeste, ampliando sua atuação para todo o território nacional e fortalecendo conexões entre produtores, investidores, instituições e empreendimentos de diversas regiões do país.
Promovida pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará, a feira reunirá cerca de 600 empresas e instituições expositoras, durante os três dias de programação em um dos maiores encontros do agronegócio nacional, reunindo representantes das cadeias produtivas do Brasil e do exterior. A PEC Brasil também se apresenta como um ambiente propício para a intercooperação, permitindo a troca de experiências entre cooperativas de diferentes estados e segmentos produtivos.
Nesse cenário de oportunidades e visibilidade, o Pará estará representado por cooperativas que traduzem a riqueza produtiva, cultural e socioeconômica da Amazônia. Participam da feira as cooperativas Turiarte, Amazoncoop, Cooasafra, Mulheres de Barro, Coopermodas e Coostafe, que levarão ao público produtos com identidade amazônica, artesanato, bioeconomia, agricultura familiar, moda sustentável e alimentos produzidos de forma cooperativa.
Ao participar de uma feira de alcance nacional, as cooperativas têm a oportunidade de demonstrar que o cooperativismo é uma ferramenta eficiente de geração de renda, inclusão produtiva e desenvolvimento regional. Além disso, reforçam o protagonismo do Pará em setores ligados à bioeconomia, agricultura familiar, economia criativa e produção sustentável.
Segundo o superintendente do Sistema OCB/PA, Júnior Serra, a presença das cooperativas paraenses na PEC Brasil 2026 reforça o posicionamento do cooperativismo como agente estratégico de desenvolvimento econômico e social.
"A participação das nossas cooperativas representa uma grande oportunidade de mostrar ao Brasil a força do cooperativismo paraense. Estamos levando produtos, histórias e a capacidade empreendedora dos cooperados da Amazônia. Essa presença fortalece a imagem do Pará como referência em produção sustentável e demonstra que o cooperativismo é um caminho concreto para promover inclusão, desenvolvimento regional e geração de oportunidades para milhares de famílias", concluiu.
O cooperativismo alcançou mais uma conquista institucional em sua trajetória e passou a ser oficialmente reconhecido como manifestação da cultura nacional para o desenvolvimento do país. A medida foi sancionada pelo presidente em exercício, Geraldo Alckmin, por meio da Lei 15.433/2026, publicada na quarta-feira (17) no Diário Oficial da União.
A sanção presidencial inclui as cooperativas entre os beneficiários do Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA), do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e do Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO), o modelo cooperativista passa a ocupar uma posição ainda mais estratégica nas políticas públicas de desenvolvimento regional. A norma estabelece que cabe ao Estado garantir a livre atividade das cooperativas e apoiar o desenvolvimento do setor, conforme previsto no artigo 174 da Constituição Federal.
A mudança permite que sociedades cooperativas, desde que constituídas de acordo com a legislação específica do setor, tenham acesso aos recursos desses fundos, antes destinados principalmente a empresas. Com isso, cooperativas poderão buscar financiamento para projetos produtivos em áreas como infraestrutura, agroindústria e outras atividades consideradas estratégicas para o crescimento econômico.
Ao reconhecer o cooperativismo como instrumento estratégico de transformação econômica e social, o Brasil fortalece um modelo de negócios capaz de gerar prosperidade compartilhada, reduzir desigualdades e promover crescimento sustentável.
Para o *Sistema OCB/PA, a medida reforça a convicção de que o cooperativismo não apenas acompanha o desenvolvimento da Amazônia*. Ele ajuda a construir todos os dias, por meio do trabalho coletivo, da geração de oportunidades e da transformação das comunidades onde está presente. Segundo o *Ernandes Raiol*, esta é uma medida que reconhece, na prática, o papel das cooperativas na construção de um desenvolvimento mais equilibrado e inclusivo.
"Essa conquista representa um reconhecimento histórico do Estado brasileiro à capacidade das cooperativas de promover desenvolvimento econômico com inclusão social. As cooperativas já são protagonistas em diversos setores estratégicos da Amazônia e agora passam a contar com instrumentos que permitirão ampliar investimentos, gerar mais oportunidades e fortalecer ainda mais sua contribuição para o crescimento sustentável da região”, destaca o presidente.
As cooperativas estão presentes em praticamente todos os setores da economia e desempenham papel decisivo na organização da produção, na inclusão de pequenos produtores, na democratização do acesso a mercados e na geração de oportunidades para milhares de brasileiros. A medida representa o reconhecimento, por parte do Governo Federal, da capacidade das cooperativas de promover crescimento econômico sustentável, gerar emprego e renda, fortalecer cadeias produtivas e impulsionar a inclusão produtiva em todas as regiões do Brasil.
O *superintendente do Sistema OCB/PA, Junior Serra*, também ressalta que a medida amplia a capacidade de atuação das cooperativas paraenses em projetos estruturantes.
"O acesso aos fundos regionais cria possibilidades para que as cooperativas possam investir em inovação, industrialização, infraestrutura e geração de valor agregado. Isso fortalece a competitividade dos empreendimentos cooperativos e amplia sua participação nas estratégias de desenvolvimento regional. Para o Pará, onde o cooperativismo tem papel fundamental na inclusão produtiva e na dinamização da economia local, essa é uma conquista de enorme relevância", conclui.
Durante a tramitação no Congresso, parlamentares defenderam que o cooperativismo extrapola o campo econômico e representa uma forma de organização social baseada em valores como ajuda mútua, participação democrática e cooperação entre os associados.
A Cooperativa Educacional Catarina Huber realizou mais uma edição do PROPECOOP – Projeto Pequeno Empreendedor Cooperativista, a iniciativa é uma importante ferramenta de formação cidadã e cooperativista entre os alunos da instituição. A ação contou com a participação do Sistema OCB/PA, que reforçou o a disseminação dos princípios e valores do cooperativismo junto às novas gerações. O projeto promove aprendizado, protagonismo estudantil e vivência prática dos valores do cooperativismo.
O PROPECOOP proporciona aos alunos uma experiência prática sobre empreendedorismo, cooperação, gestão compartilhada, responsabilidade social e trabalho em equipe. Ao longo das atividades, os estudantes têm a oportunidade de desenvolver habilidades essenciais para a vida pessoal e profissional, compreendendo na prática como o cooperativismo pode transformar realidades e construir soluções coletivas.
Nesta edição, os alunos assumiram o protagonismo em todas as etapas do processo, desde o planejamento até a exposição e comercialização dos produtos, vivenciando na prática conceitos como organização, gestão, cooperação e empreendedorismo.
A iniciativa busca despertar desde cedo a consciência sobre a importância da colaboração, da participação democrática, pilares que sustentam o movimento cooperativista em todo o mundo. Por meio de dinâmicas, exposições, comercialização de produtos, planejamento de atividades e experiências empreendedoras, os alunos vivenciam conceitos que irão sua formação integral.
A participação do Sistema OCB/PA contribuiu para aprimorar o projeto, ajudando a estruturar melhor as ideias e a fortalecer a proposta da feira. Além disso, auxiliou com o documento de solicitação de patrocínio, tornando a proposta mais clara, objetiva e atrativa para apresentação às empresas.
“A partir das nossas sugestões, a cooperativa conseguiu captar dois importantes patrocinadores para o evento. Um deles realizou um aporte de aproximadamente R$ 40 mil, além do recurso financeiro, a feira também recebeu apoio por meio da disponibilização de barracas, materiais diversos e climatizadores para proporcionar mais conforto aos participantes” destacou a analista do Sistema OCB/PA, Priscilla Barreto.
Segundo a professora Amanda de Melo, o PROPECOOP representa uma oportunidade de unir teoria e prática, incentivando os estudantes a desenvolverem competências empreendedoras alinhadas aos valores da cooperação, solidariedade e responsabilidade coletiva.
“Foi um momento de aprendizado prático, integração e desenvolvimento de valores que certamente contribuirão para a formação cidadã e cooperativista de nossas crianças. O evento também fortaleceu os laços entre escola e comunidade, envolvendo famílias, empresas parceiras, empreendedores locais e toda a comunidade escolar”, declarou.
Ainda é cedo quando os primeiros agricultores começam a colher hortaliças, frutas, raízes e legumes em propriedades espalhadas pelo interior do Pará. O trabalho realizado no campo segue um caminho que vai muito além da comercialização tradicional. Parte dessa produção tem destino certo: as escolas públicas, onde milhares de estudantes recebem diariamente refeições preparadas com alimentos produzidos por agricultores familiares organizados em cooperativas.
Essa conexão entre produção rural e alimentação escolar é uma das mais importantes políticas públicas de desenvolvimento local do país. Por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), cooperativas da agricultura familiar vêm assumindo papel importante no fornecimento de alimentos saudáveis para os estudantes da rede pública, promovendo segurança alimentar, geração de renda e fortalecimento das economias locais.
Criado para assegurar alimentação adequada aos alunos da rede pública, o PNAE estabelece que pelo menos 30% dos recursos destinados à alimentação escolar sejam utilizados na compra de produtos da agricultura familiar. A medida criou oportunidades para milhares de agricultores em todo o país, mas também trouxe desafios relacionados à organização da produção, logística, documentação e participação em chamadas públicas. Nesse cenário, as cooperativas conseguem planejar a produção, garantir volume e regularidade de entrega, atender às exigências sanitárias e cumprir os requisitos estabelecidos pelos órgãos públicos.
O superintendente do Sistema OCB/PA, Júnior Serra, destaca que o cooperativismo tem sido decisivo para ampliar a participação dos agricultores familiares nos mercados institucionais. “Quando os produtores atuam de forma organizada, conseguem acessar oportunidades que seriam muito mais difíceis individualmente. O cooperativismo fortalece a agricultura familiar, gera renda para as comunidades e contribui para que os estudantes recebam uma alimentação mais saudável e nutritiva”, afirma.
Além dos impactos econômicos, a presença da agricultura familiar na alimentação escolar contribui para a valorização da cultura alimentar regional. Produtos como açaí, peixe, farinha de mandioca, frutas amazônicas, polpas, hortaliças e legumes produzidos nas próprias comunidades passam a integrar os cardápios escolares, aproximando os estudantes dos hábitos alimentares locais e fortalecendo a identidade cultural das regiões.
Para o agricultor familiar e cooperado da CART Cametá, Danilson Gonçalves, participar do programa representa estabilidade e perspectiva de crescimento. “Antes dependíamos muito das vendas em feiras e atravessadores. Com a cooperativa e o fornecimento para a merenda escolar, conseguimos planejar melhor a produção e ter mais segurança para investir na propriedade”, relata.
Para que as cooperativas estejam cada vez mais preparadas para acessar oportunidades como o PNAE e outros programas, o Sistema OCB/PA desenvolve iniciativas voltadas ao fortalecimento da gestão, da comercialização e da segurança jurídica dos empreendimentos cooperativos.
Uma dessas iniciativas é o programa NegóciosCoop, solução que conecta cooperativas a oportunidades de mercado, promove rodadas de negócios e aproxima os empreendimentos de potenciais compradores, contribuindo para ampliar sua presença nos mercados institucionais e privados.
Outra importante ferramenta é o programa BioCoop, programa que incentiva a valorização da bioeconomia amazônica e da produção sustentável, fortalecendo cadeias produtivas da agricultura familiar e agregando valor aos produtos comercializados pelas cooperativas.
Segundo o gerente de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB/PA, Diego Andrade, essas iniciativas ajudam a preparar os empreendimentos para atender às demandas cada vez mais exigentes do mercado. “Nosso objetivo é apoiar as cooperativas para que estejam estruturadas, competitivas e preparadas para aproveitar oportunidades de comercialização. Isso inclui desde a organização da produção até a qualificação para participação em mercados estratégicos, como a alimentação escolar”, explica.
Além disso, o Sistema OCB/PA oferece suporte especializado por meio de sua assessoria jurídica, auxiliando cooperativas na análise de editais, interpretação de exigências legais, elaboração de documentos e participação em chamadas públicas relacionadas ao PNAE e outros programas governamentais.
“A orientação jurídica é fundamental para evitar inconsistências documentais e garantir que as cooperativas estejam aptas a participar das chamadas públicas. Nosso trabalho busca dar segurança aos empreendimentos e ampliar suas possibilidades de acesso aos mercados institucionais”, destaca a assessora jurídica do Sistema OCB/PA, Dra Nelian Rossafa.
Os benefícios da participação das cooperativas da agricultura familiar no PNAE e outros programas, ultrapassam os limites das propriedades rurais e chegam a toda a comunidade. O aumento da renda das famílias produtoras movimenta o comércio, gera empregos e estimula novos investimentos nas comunidades.
Mais de 4 mil usuários cadastrados, quase 8 mil matrículas realizadas e 200 cooperativas atendidas. Esses números refletem o alcance da CapacitaCoop no Pará, plataforma de ensino a distância do Sistema OCB que, desde 2020, vem ampliando o acesso à qualificação profissional gratuita, fortalecendo lideranças e contribuindo para o desenvolvimento sustentável do cooperativismo no estado.
O fortalecimento das cooperativas passa, cada vez mais, pelo investimento em conhecimento. Nesse cenário, a CapacitaCoop tem desempenhado um papel estratégico ao democratizar o acesso à educação, oferecendo oportunidades de formação para cooperados, dirigentes, colaboradores e para toda a sociedade interessada em conhecer mais sobre o modelo cooperativista.
Com acesso simplificado e flexibilidade para estudar onde e quando quiser, o ambiente virtual de aprendizagem disponibiliza cursos em diferentes formatos, incluindo vídeos, áudios e materiais complementares. Entre os diferenciais estão as capacitações de curta duração e os cursos realizados por meio do WhatsApp, tornando o aprendizado ainda mais acessível para públicos de diferentes realidades.
O reconhecimento da qualidade dos conteúdos ofertados pela CapacitaCoop ultrapassou o ambiente cooperativista. A convite do Ministério do Trabalho e Emprego, os cursos passaram a integrar a plataforma QualificaProBR, hub nacional de divulgação de cursos que reúne conteúdos de 49 instituições parceiras. O Sistema OCB contribui com mais de 200 cursos, reforçando seu compromisso com a educação, a inclusão produtiva e o desenvolvimento de pessoas em todo o país.
No Pará, os resultados demonstram o impacto positivo da iniciativa. Entre janeiro de 2020 e 2026, foram registrados 4.290 usuários cadastrados, atendendo 200 cooperativas das 214 existentes na base do Sistema OCB/PA. No mesmo período, foram realizadas 7.826 matrículas e contabilizadas 4.175 conclusões de cursos, consolidando a CapacitaCoop como uma importante aliada no fortalecimento das cooperativas paraenses.
A evolução dos indicadores ao longo dos anos evidencia o crescimento do interesse pela qualificação. Em 2020, primeiro ano de funcionamento da plataforma, o Pará contabilizava 101 usuários cadastrados, com 67 matrículas realizadas. Naquele período, o curso com maior número de concluintes foi “Entendendo a Sociedade Cooperativa”.
Cinco anos depois, em 2025, o cenário era significativamente diferente. O número de usuários cadastrados alcançou 944 participantes, enquanto as matrículas chegaram a 2.078. Outro dado relevante é a média de idade dos participantes: caiu de 45 para 36 anos, representando mais jovens no meio cooperativista e o fomento à sucessão. O curso com maior número de concluintes no período foi “A História do Cooperativismo”.
Ticianny Barbosa, técnica do Sistema OCB/PA, conta que o trabalho institucional é estratégico para atuar na necessidade da cooperativa, operando nos entraves da cooperativa. “Atuamos junto às cooperativas na identificação de necessidades de capacitação e na indicação de cursos alinhados às suas demandas. Dessa forma, incentivamos a formação contínua de dirigentes, conselheiros, cooperados e colaboradores, fortalecendo a gestão, a governança, a competitividade e a cultura cooperativista.”
Entre as cooperativas que mais se destacaram na utilização da ferramenta ao longo dos anos, a Unimed Belém ocupa posição de liderança em número de pessoas matriculadas e cursos concluídos. Em 2026, até o momento, a cooperativa lidera o ranking estadual com 412 cursos realizados, seguida pela Unimed Oeste do Pará, com 64, e pela CooperBelém, com 26.
De acordo com Vanessa Raiol, Gestora de Pessoas da Unimed Belém, a Capacitacoop tem contribuído para fortalecer a cultura de aprendizagem e aprimoramento dos colaboradores, fazendo com que aprendam de forma flexível e no seu ritmo.
“Como forma de engajar os nossos colaboradores, realizamos ações mensais de reconhecimento, como o “treinômetro”, além da entrega de certificados e brindes para os colaboradores destaque. Adicionalmente, o departamento de Gestão de Pessoas e as lideranças utilizam a plataforma para indicar treinamentos aos colaboradores, no plano anual de treinamento” falou a Gestora.
A educação cooperativista também ganhou um novo incentivo com a integração entre a CapacitaCoop e o MarketCoop. A novidade deu origem ao programa Capacita Mais, iniciativa que transforma o tempo dedicado ao aprendizado em benefícios para os participantes.
Por meio do programa, os usuários evoluem em uma jornada de conhecimento composta por cinco níveis, que vão de Desbravador de Ideias a Alquimista da Sabedoria. Além disso, podem conquistar medalhas ao concluírem cinco ou mais cursos em uma mesma área temática e acumular coopcoins em cursos finalizados a partir deste mês. A moeda digital poderá ser convertida em vouchers para utilização no MarketCoop, possibilitando a aquisição de produtos e serviços ofertados por cooperativas.
A iniciativa fortalece a conexão entre educação, valorização do cooperativismo e estímulo à economia cooperativa, reconhecendo o esforço daqueles que investem continuamente em seu desenvolvimento profissional.
Mais do que números, a CapacitaCoop representa uma transformação na forma como o conhecimento chega às cooperativas, contribuindo diretamente para o fortalecimento da gestão, para a profissionalização dos cooperados e para a formação de lideranças preparadas para os desafios do mercado atual.
Ao ampliar o acesso à educação e estimular a formação contínua de lideranças, a CapacitaCoop se consolida como uma das principais ferramentas de desenvolvimento do cooperativismo paraense. Mais do que qualificar pessoas, a iniciativa fortalece a competitividade das cooperativas, impulsiona a inovação e contribui para a construção de um setor cada vez mais preparado para os desafios econômicos, sociais e ambientais do futuro.
O empreendedorismo voltado aos pequenos negócios tem encontrado no turismo rural e no artesanato sustentável novas oportunidades de crescimento no Pará. Em meio ao fortalecimento da bioeconomia amazônica e da busca por experiências ligadas à natureza, cultura e sustentabilidade, cooperativas de transporte, turismo comunitário e produção artesanal movimentam a economia local e criam fontes de renda para famílias em diversas regiões do estado.
O avanço desse modelo econômico acompanha uma tendência de valorização do turismo de base comunitária, da economia criativa e dos produtos com identidade cultural e responsabilidade ambiental. No Pará, comunidades inteiras organizadas em cooperativas têm conseguido transformar potencialidades locais em negócios sustentáveis capazes de gerar impacto econômico, social e ambiental positivo.
A exemplo da Cooperativa de Transporte Fluvial – Cooppertrans Combu, que reúne 49 cooperados na atuação de travessias e passeios turísticos, focados no ecoturismo sustentável e na valorização da comunidade local no município de Belém e desempenha papel fundamental ao conectar visitantes a comunidades, experiências culturais e destinos ecológicos, com roteiros turísticos que fortalecem as cadeias produtivas ligadas ao artesanato, gastronomia regional, agricultura familiar e produtos da sociobiodiversidade amazônica.
Com paisagens naturais, rios, comunidades tradicionais e forte riqueza cultural, o Pará vem cada vez mais, ampliando sua presença no turismo de base comunitária e ecológica. O crescimento do setor tem fomentado pequenos empreendedores ligados ao transporte turístico, hospedagem familiar, alimentação regional e experiências culturais. Além de gerar renda, o turismo sustentável também contribui para valorização cultural e preservação ambiental nas regiões atendidas pelas cooperativas.
A cooperada Ana Lice Mota, membro do conselho fiscal da cooperativa Cooppertrans Combu, afirma que o turismo de base comunitária abriu novas perspectivas econômicas para centenas de famílias.
“Antes a renda era muito limitada e dependia apenas de trabalhos esporádicos. Hoje conseguimos trabalhar com transporte turístico, levar visitantes para conhecer as comunidades e movimentar outros pequenos negócios locais. Sem o transporte, não tem como o visitante chegar na ilha e consumir o que a gente produz. Isso fortalece toda a cadeia econômica”, relata.
Outro segmento fortalecido pelo cooperativismo é o artesanato sustentável. Pequenos empreendedores passaram a transformar sementes, fibras naturais, madeira reaproveitada e outros elementos da floresta em produtos comercializados em feiras, eventos e em mercados nacionais e internacionais. Com a realização da COP30 em Belém, produtos de cooperativas ganharam o mundo com a comercialização para visitantes de outros países que participaram do evento. Cada peça produzida carrega identidade amazônica e se conecta diretamente ao consumo consciente e sustentável.
A artesã Neuma Serrão, integrante da cooperativa COOMFLONA, que produz biojoias e artesanatos ecológicos na região oeste do estado, destaca que o trabalho coletivo trouxe mais visibilidade para os produtos locais.
“Hoje conseguimos participar de feiras, divulgar nossos produtos e alcançar clientes de outros estados. O artesanato sustentável passou a ser valorizado não só pela beleza, mas também pela história e pela preservação ambiental envolvida”, explica a cooperada.
Segundo ela, o cooperativismo também permitiu acesso a capacitações em gestão, comercialização e inovação e, com isso fortaleceu os pequenos negócios da comunidade.
Naira Castro, presidente da TURIARTE*, Cooperativa de Turismo de base Comunitária e Artesanato Sustentável, formada por 194 cooperados, de 12 comunidades*, no município de Santarém, conta que muitos empreendedores da Amazônia já nasceram dentro da cultura da sustentabilidade, mas que precisavam de apoio para transformar isso em oportunidade de mercado.
“A floresta sempre foi fonte de sustento para muitas famílias e comunidades. O que a cooperativa faz é organizar essa produção, agregar valor e abrir portas para novos mercados. Hoje vemos pequenos negócios se profissionalizando sem perder sua identidade cultural e ambiental e, nós também estamos inseridos nesse ambiente”, explica a presidente.
Especialistas apontam que o crescimento do turismo sustentável e do artesanato ecológico acompanha o fortalecimento da bioeconomia amazônica, considerada uma das principais apostas econômicas para a região nos próximos anos. Nesse contexto, as cooperativas assumem protagonismo ao conectar desenvolvimento econômico, preservação ambiental e inclusão produtiva.
O superintendente do Sistema OCB/PA, Júnior Serra, instituição de representação máxima das cooperativas no estado, explica que os pequenos negócios sustentáveis têm potencial para transformar comunidades inteiras. “A bioeconomia cria oportunidades reais para pequenos empreendedores da Amazônia. As cooperativas ajudam a organizar essa produção, profissionalizar os serviços e conectar os cooperados a novos mercados. Isso gera renda, fortalece a identidade cultural e promove desenvolvimento sustentável”, destaca.
Ele explica que, “com consumidores cada vez mais atentos à origem dos produtos e ao impacto ambiental das atividades econômicas, o turismo rural sustentável e o artesanato ecológico ganham força como segmentos promissores dentro da nova economia verde”, conclui.
No Pará, cooperativas são empreendedores que juntos, buscam acessar o mercado com mais força, cooperando uns com os outros, que movimenta pequenos negócios e ajudam a transformar talentos locais em oportunidades reais de desenvolvimento econômico e social.
Cooperativas de coleta seletiva cada vez mais, assumem o papel estratégico na promoção da sustentabilidade urbana no Pará, transformando desafios relacionados à gestão de resíduos sólidos em soluções que aliam preservação ambiental, geração de renda e inclusão social. Em diversas cidades paraenses, organizações formadas por catadores têm ampliado sua atuação por meio de parcerias públicas e privadas, educação ambiental e fortalecimento institucional.
Durante a Feira do Cooperativismo 2026, experiências de cooperativas como FILHOS DO SOL, COREMA e COCAOUT mostraram como o cooperativismo vem se fortalecendo como ferramenta essencial para o avanço da coleta seletiva no estado, promovendo impacto positivo tanto para o meio ambiente quanto para centenas de famílias.
Na Região Metropolitana de Belém, a cooperativa FILHOS DO SOL atua na coleta, separação e reaproveitamento de materiais recicláveis, transformando resíduos descartados em fonte de sustento para cooperados.
Representante da organização, Socorro Pantoja destacou que o trabalho vai além da reciclagem tradicional, envolvendo reaproveitamento de diversos materiais que muitas vezes são considerados lixo, mas possuem valor econômico e social. “Nem tudo é lixo. O que muitos descartam pode gerar renda e oportunidades para famílias que dependem desse trabalho”, afirmou.
Segundo ela, a cooperativa realiza coleta de papelão, plástico, garrafas PET, livros e diversos outros materiais, promovendo também inclusão de novos trabalhadores e apoio a catadores em situação de vulnerabilidade. Além da operação de coleta, a cooperativa também atua fortemente em educação ambiental, promovendo palestras em escolas, universidades e comunidades sobre separação correta de resíduos, reciclagem e preservação ambiental.
No sudeste paraense, a cooperativa COREMA, sediada em Marabá, se destaca como exemplo de estruturação bem-sucedida da economia circular. Fundada em 2019, a organização já retirou cerca de 800 toneladas de resíduos recicláveis do meio ambiente, gerando aproximadamente R$ 800 mil em renda para cooperados e para a economia local.
A cooperada Francisca Fernandes ressaltou que a cooperativa surgiu como alternativa de inclusão produtiva para famílias desempregadas, especialmente durante o período da pandemia, e hoje representa uma importante engrenagem da gestão de resíduos na cidade.
“Hoje, além de gerar renda para dezenas de famílias, movimentamos a economia circular e contribuímos diretamente para uma cidade mais sustentável”, explicou.
Com apoio do Sistema OCB/PA, universidades e órgãos públicos, a COREMA fortaleceu sua estrutura operacional, ampliou parcerias comerciais e consolidou ações de educação ambiental em escolas e comunidades.
Já na ilha de Outeiro, a COCAOUT reúne jovens cooperados entre 18 e 30 anos em uma iniciativa que alia reciclagem, inclusão social e formação cidadã. A cooperativa desenvolve ações de coleta seletiva, reaproveitamento de resíduos e educação ambiental em praias, espaços turísticos e centros comerciais, contribuindo para preservação ambiental em uma das principais áreas de lazer da região.
Representante da cooperativa, Ana Carolina destacou que a atuação da organização se fortalece por meio de parcerias com empresas privadas, instituições sociais e programas de gestão de resíduos orgânicos.
“Nosso trabalho é gerar oportunidade para jovens, promover educação ambiental e mostrar que a reciclagem pode transformar vidas e comunidades”, afirmou.
As experiências dessas cooperativas demonstram que a coleta seletiva no Pará vai muito além da destinação correta de resíduos. Trata-se de uma estratégia de desenvolvimento urbano, capaz de gerar emprego, renda, inclusão social e consciência ambiental em larga escala.
Ao unir catadores, jovens, comunidades e parceiros institucionais, o cooperativismo paraense vem construindo soluções concretas para desafios urbanos contemporâneos, fortalecendo políticas de sustentabilidade com protagonismo social.
Nas cidades paraenses, cooperativas de reciclagem mostram que sustentabilidade e inclusão caminham juntas, transformando resíduos em oportunidade, fortalecendo comunidades e promovendo uma nova visão sobre desenvolvimento ambientalmente responsável.
O cooperativismo paraense já não olha apenas para o presente. Durante a 6ª edição da Feira de Negócios do Cooperativismo Paraense, o que se viu foi um setor em pleno movimento, que projeta crescimento a partir de três pilares, renovação de lideranças, inovação nos processos e ampliação de mercados.
Esse futuro começa nas bases. Em Santarém, a Cooperativa dos Produtores da Agricultura Familiar – COOPAFS, reúne 174 famílias e carrega um diferencial que simboliza o novo momento do cooperativismo. A diversidade. A cooperativa integra, na mesma estrutura, povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e agricultores assentados. Um modelo que fortalece não só a produção, mas também a identidade coletiva.
“Somos uma cooperativa que tem povos originários dentro da nossa carta jurídica. E o cooperativismo transforma vidas. Em 15 anos, a gente avançou muito em qualidade de vida e dignidade para os cooperados”, destacou a presidente Lucilene Souza.
Participando pela primeira vez da FENCOOP®, a COOPAFS já colhe resultados concretos. “As oportunidades são muitas. A gente chegou com expectativa e já está fechando negócios. A feira abre portas, cria contatos e fortalece a cooperativa em todos os sentidos”, completou a presidente.
Se por um lado a base se fortalece, por outro o futuro também passa pela renovação de quem lidera o movimento. Criado para ampliar a presença de jovens nos espaços de decisão, o Comitê de Jovens do cooperativismo surge como uma estratégia para garantir a continuidade do modelo. A iniciativa busca preparar novas lideranças e atrair uma geração mais conectada com inovação e mercado.
“A gente identificou que havia muitos jovens nas cooperativas, mas poucos em cargos de liderança. O comitê vem para mudar isso, formar líderes e garantir a perenidade do cooperativismo”, pontuou Alana Adinaele, coordenadora do grupo no Pará.
Hoje, *mais de 300 jovens já ocupam funções estratégicas dentro das cooperativas do estado*. E o movimento não pretende substituir experiências, mas somar. “A ideia não é romper com quem já construiu essa história, mas sentar ao lado, aprender e propor soluções mais adaptáveis, principalmente em inovação e tecnologia”, reforçou a coordenadora.
E é justamente nesse campo que o cooperativismo paraense começa a ganhar novos contornos. A inovação, que antes parecia distante da realidade de muitas cooperativas, agora passa a fazer parte da rotina produtiva... seja na verticalização da produção, no uso de tecnologias ou na adaptação às exigências do mercado.
A *técnica do Sistema OCB/PA, Ticianny Barbosa*, acompanha esse avanço de perto. “Hoje a gente já vê cooperativas que saíram da produção básica e passaram a desenvolver novos produtos, como fitoterápicos. Outras investem em rastreabilidade, garantindo mais segurança alimentar e conseguindo acessar mercados que antes não alcançavam”, explicou.
O uso de tecnologia também começa a transformar a forma de planejar e gerir os negócios. “A inteligência artificial, por exemplo, permite acessar um volume muito maior de informações e qualificar projetos. Isso gera mais impacto, inclusive social e ambiental, e ajuda a desenvolver produtos mais sustentáveis”, completou.
Esse conjunto de transformações, diversidade, juventude e inovação, também reflete diretamente na evolução do próprio sistema cooperativista no estado. *Para o superintendente do Sistema OCB/PA, Júnior Serra*, o futuro do setor está justamente na capacidade de adaptação. “As cooperativas estão evoluindo, oferecendo novos produtos e se conectando com o mercado. Hoje já conseguimos ver produtos sendo comercializados, negócios sendo gerados e uma presença muito mais forte na economia”, afirmou.
Segundo ele, a FENCOOP® cumpre um papel estratégico nesse processo ao aproximar produtores, parceiros e consumidores. “A ideia sempre foi conectar as cooperativas com a sociedade. E quando isso acontece, o cooperativismo cresce, se fortalece e mostra que é um modelo competitivo e sustentável”, destacou.
A eventos como a feira reforçam esse cenário. Para empreendedores e parceiros, o evento se tornou num espaço de descoberta e construção de oportunidades. “É um ambiente de networking, de conhecer produtos, inovações e cooperativas de diferentes regiões. Isso ajuda a criar parcerias e ampliar mercados”, relatou uma visitante que acompanha o evento desde as primeiras edições.
Com esses exemplos sólidos de trabalho, o Sistema OCB/PA mostra que o futuro do cooperativismo no Pará não está concentrado em um único caminho. Ele se constrói de forma coletiva, com novos protagonistas, novas ferramentas e uma visão cada vez mais alinhada às transformações do mundo.
O fortalecimento do cooperativismo paraense, o alinhamento estratégico das ações institucionais e a construção de novas perspectivas para o desenvolvimento das cooperativas marcaram a 43ª reunião ordinária do Conselho Diretor do Sistema OCB/PA e da 143ª reunião ordinária do Conselho de Administração do Sescoop/PA. O encontro teve como destaque a participação dos novos membros, que integram os conselhos das duas instituições.
Realizada na sede do Sistema OCB/PA, em Belém, a reunião marcou o início de um mandato com planejamento e fortalecimento da governança cooperativista, reunindo lideranças comprometidas com o crescimento do segmento em todas as regiões do estado.
Na oportunidade o superintendente do Sistema OCB/PA, Júnior Serra, apresentou de maneira detalhada a composição orçamentária de ambas as casas, bem como a forma de solicitação de demandas das cooperativas para a utilização dos recursos do SESCOOP.
Durante a programação, também foram apresentadas as principais ações desenvolvidas pela Organização das Cooperativas Brasileiras no Pará (OCB/PA), representante máxima do cooperativismo no estado e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Estado do Pará (Sescoop/PA), responsável pelo desenvolvimento, capacitação, inovação e fortalecimento econômico das cooperativas paraenses.
O encontro também reforçou o papel das instituições na construção de um ambiente mais favorável para o crescimento do cooperativismo, ampliando oportunidades para as cooperativas e fortalecendo a presença do setor na economia paraense.
Para o superintendente Júnior Serra, o momento representa uma nova etapa de fortalecimento institucional e de renovação do compromisso com as cooperativas do estado.
“A chegada dos novos conselheiros fortalece ainda mais a nossa missão de representar e desenvolver o cooperativismo paraense. Estamos construindo um trabalho cada vez mais integrado, moderno e alinhado às necessidades das cooperativas, levando desenvolvimento econômico e social para todas as regiões do Pará”, destacou Serra.
Para os novos integrantes dos conselhos, o encontro também simbolizou um momento de aprendizado e responsabilidade.
“Este encontro simboliza o fortalecimento do cooperativismo, principalmente das cooperativas do ramo do transporte que hoje ocupa um assento no conselho Fiscal do Sescoop. E para nós é uma honra participar de um sistema comprometido que desenvolve as cooperativas com projetos e programas", declarou Airton Ribeiro, membro do Conselho Fiscal do Sescoop.
Outro ponto destacado foi a importância da atuação conjunta entre conselheiros, diretoria e equipes técnicas para ampliar os resultados do cooperativismo no estado.
“Quando o conselho e diretoria trabalham de forma unida, o resultado é positivo, e com isso traz transparência e fortalece a gestão, aumentando a credibilidade institucional fortalecendo o cooperativismo em todo o estado” afirmou a Conselheira Kátia Santos.
Com a participação ativa dos conselhos, as instituições seguem ampliando iniciativas que fortalecem a gestão, a competitividade e o protagonismo das cooperativas paraenses, consolidando o setor como um dos pilares do desenvolvimento regional.
Levar os ensinamentos do cooperativismo para crianças e adolescentes também pode ser uma experiência divertida e dinâmica. Com esse objetivo, o Sistema OCB/PA, em parceria com o Sistema OCB Nacional, realizou nessa sexta-feira (15) o Workshop Conexão: entre estratégia e prática do Jogar + Aprender. O evento reuniu cooperativas paraenses e colaboradores da unidade para um momento de troca de experiências, aprendizado e construção de metodologias lúdicas voltadas à educação infantojuvenil.
Participaram da programação as cooperativas UNIMED BELÉM, CEAC, COOPSÓSTENES, CATARINA HUBER, COOPERIET, SICREDI OURO VERDE, CRESOL, SICOOB COOESA, SICOOB PRIMAVERA e COAFRA. A união promoveu um ambiente de construção coletiva e compartilhamento de vivências, fomentando a cultura do setor desde a base.
A programação foi conduzida por Rosana Siqueira, da OCB Nacional, que apresentou ferramentas capazes de unir aprendizagem, tecnologia e cooperação de forma digital e acessível. A metodologia faz parte da iniciativa Jogar + Aprender, disponível gratuitamente para a sociedade na plataforma de ensino Capacitacoop. O propósito do workshop foi demonstrar como as cooperativas podem fortalecer suas ações educacionais utilizando essas estratégias para aproximar o público jovem dos valores cooperativistas, em um ambiente supervisionado e direcionado a cada faixa etária.
“Acreditamos que falar sobre cooperativismo desde a infância é plantar sementes para um futuro mais cooperativo. Quando utilizamos ferramentas lúdicas e conectadas à realidade das novas gerações, conseguimos aproximar crianças e adolescentes dos valores do coop de forma leve e significativa”, destacou Rosana Siqueira.
Durante a atividade, os participantes conheceram possibilidades de aplicação prática das metodologias em escolas, projetos sociais e iniciativas formativas. A presença da cooperativa de crédito SICOOB COOESA, por exemplo, demonstrou como a ferramenta pode ser inserida em diversos eixos de atuação e a relevância do direcionamento estratégico como no Projeto Cooperativa Mirim, na comunidade Santo Ezequiel Moreno, em Portel, no Marajó.
“A capacitação foi muito importante para fortalecer a atuação nos programas de relacionamento com a comunidade do Sicoob Cooesa. As ferramentas da OCB representam um apoio essencial para ampliar nossas ações e contribuir para o fortalecimento da cultura cooperativista entre crianças e adolescentes”, afirmou Lidiana Ferreira, Analista de Cidadania e Sustentabilidade da instituição.
No contexto educacional, o Jogar + Aprender se torna um aliado dentro e fora da sala de aula. “Através de atividades práticas e dinâmicas, os alunos vivenciam o significado da cooperação, desenvolvendo habilidades sociais e cidadãs fundamentais. Além de aproximar estudantes, professores e comunidade, esse tipo de ação contribui para formar cidadãos mais conscientes e preparados para atuar de forma ética no futuro”, comentou Kátia Santos, Presidente da cooperativa educacional CEAC.
Melize Borges, analista do Sistema OCB/PA e responsável pela coordenação do workshop, reforçou a importância de unir teoria e prática no estado. “O cooperativismo também se aprende brincando, interagindo e vivenciando experiências. Nosso objetivo foi mostrar às cooperativas que é possível inovar na forma de ensinar e despertar, desde cedo, o interesse dos jovens pelos princípios cooperativistas”, afirmou.
O evento reforçou o papel da integração estratégica para impulsionar a educação do setor no Pará, estimulando a formação de uma nova geração mais consciente, colaborativa e conectada aos princípios do coop.
Mais do que uma alternativa de organização produtiva, as cooperativas vêm se firmando como estruturas capazes de movimentar milhões em negócios, gerar renda direta para milhares de famílias e conectar produção local a diferentes mercados. No Pará, esse avanço ganhou força e visibilidade com a realização da FENCOOP® 2026, que colocou o cooperativismo como um dos vetores mais promissores da economia local.
Com resultados concretos em geração de negócios, articulação comercial e fortalecimento de cadeias produtivas, a Feira do Cooperativismo encerrou sua programação com números expressivos: 25 mil visitantes, R$ 8,5 milhões de reais em negócios fechados, com prospecções para atingir 10 milhões de reais, e dezenas de rodadas comerciais realizadas, centenas de conexões estratégicas entre cooperativas, compradores, investidores e instituições parceiras. Mais do que uma vitrine, a feira é um ambiente de negócios reais, capaz de gerar oportunidades concretas e ampliar a presença das cooperativas paraenses em mercados cada vez mais competitivos.
Ao longo dos três dias de programação, cooperativas de diferentes segmentos apresentaram produtos, fecharam parcerias, abriram novos canais de comercialização e ampliaram sua capacidade de inserção no mercado. Da agricultura familiar ao crédito, do artesanato à reciclagem, da produção de alimentos à bioeconomia, o cooperativismo demonstrou sua diversidade e sua força econômica. E esses resultados reverberam ao longo do ano, quando contratos amadurecem, parcerias se consolidam e a renda chega, de fato, ao cooperado, à família, à comunidade.
“É nesse ponto que o cooperativismo se diferencia. Cada negócio fechado por uma cooperativa não representa apenas um resultado comercial. Representa renda circulando no território, fortalecimento da produção local, valorização do trabalho coletivo e melhoria concreta na vida de quem está na base desse modelo”, explica o presidente do Sistema OCB/PA, Ernandes Raiol.
No campo, isso significa mais escoamento da produção, melhor preço para quem produz, menos dependência de atravessadores e mais autonomia econômica para agricultores familiares. Nas comunidades, significa mais trabalho, mais inclusão produtiva e mais oportunidade para grupos que historicamente estiveram à margem dos grandes circuitos econômicos.
Quando uma cooperativa de produção amplia sua comercialização, o impacto é direto na renda do cooperado. Quando uma cooperativa de reciclagem fecha um novo contrato, mais famílias passam a ter renda digna. Quando uma cooperativa de artesanato conquista novos mercados, o saber tradicional ganha valor econômico e cultural. Quando uma cooperativa de crédito fortalece sua atuação, mais empreendedores conseguem crescer.
Mas os impactos da feira vão além dos números registrados pelas cooperativas. São dezenas de empresas contratadas, centenas de postos de trabalhos, que vão desde serviços de gráficas, estrutura de outdoor, estrutura dos estandes, montagem de equipamentos, som, alimentação, cooperativas de transporte, entre outros. Todos esses profissionais juntos, giram a economia local e geram renda para suas famílias. É essa lógica que faz do cooperativismo um modelo econômico com impacto social real: o resultado não se concentra, ele circula.
Nesse processo, o Sistema OCB/PA tem desempenhado papel central como articulador do desenvolvimento cooperativista no estado. Ao conectar cooperativas a oportunidades de mercado, fomentar capacitação, estruturar ambientes de negócios e fortalecer a presença institucional do setor, o Sistema atua como ponte entre produção, estratégia e crescimento.
“Antes de entrar na cooperativa, a gente produzia, mas não tinha segurança de venda, nem preço justo. Muitas vezes o nosso trabalho saía barato e o retorno era pequeno. Depois que passamos a comercializar organizados, tudo mudou. Hoje a gente consegue vender melhor, tem mais volume, mais oportunidade e a renda melhorou dentro de casa. O que muda não é só o negócio, é a vida da família da gente. Quando a cooperativa cresce, todo mundo cresce junto”, afirma um cooperado beneficiado diretamente pelas conexões comerciais geradas a partir da feira.
Mais do que apoiar a participação das cooperativas em eventos e rodadas comerciais, o Sistema OCB/PA tem trabalhado para criar condições reais de competitividade, qualificação da gestão, fortalecimento da governança, inteligência de mercado, posicionamento institucional e abertura de novos espaços para comercialização. É essa articulação que permite transformar potencial produtivo em resultado econômico.
O Comitê para a Promoção e o Desenvolvimento das Cooperativas (COPAC), anunciou o tema do Dia Internacional das Cooperativas de 2026, o CoopsDay: Cooperativas por um mundo pacífico. A definição orienta as mobilizações do movimento em todo o mundo e reforça o papel do modelo como agente de conexão social, desenvolvimento e construção de sociedades mais equilibradas.
Celebrado anualmente no primeiro sábado de julho (em 2026, dia 4) o Dia Internacional das Cooperativas chega à sua 104ª edição no âmbito do movimento e à 32ª como data reconhecida oficialmente pela Organização das Nações Unidas. A proposta do tema dialoga diretamente com o cenário global atual, marcado por tensões geopolíticas, desigualdades persistentes e desafios sociais que exigem soluções baseadas em cooperação e confiança.
Segundo a ACI, o conceito de mundo pacífico vai além da ausência de conflitos. Ele está associado à promoção de justiça social, inclusão econômica e fortalecimento das instituições. Nesse contexto, as cooperativas são apresentadas como construtoras de pontes, capazes de aproximar comunidades, estimular o diálogo e gerar oportunidades de participação. O tema também se conecta ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 16, da ONU, que trata de paz, justiça e instituições eficazes.
“O cooperativismo tem a capacidade de unir pessoas em torno de um propósito comum. E o tema do CopsDay 2026, ‘Cooperativas por um mundo pacífico’, representa a essência do nosso movimento, porque onde existe cooperação, existe diálogo, respeito e desenvolvimento compartilhado. Acreditamos que a paz também se constrói com trabalho, participação e solidariedade. E o cooperativismo é, sem dúvida, um dos caminhos mais humanos e sustentáveis para promover um mundo mais justo e equilibrado”, enfatiza o presidente do Sistema OCB/PA, Ernandes Raiol.
A pauta vai estar no centro da Conferência Global da ACI 2026, marcada para setembro, no Panamá, que terá como lema construindo pontes: contribuições cooperativas para um mundo pacífico. O encontro deve aprofundar o debate sobre como o modelo pode ampliar seu impacto na promoção da estabilidade social e econômica em diferentes regiões.
“O cooperativismo tem a capacidade de unir pessoas em torno de um propósito comum. E o tema do CopsDay 2026, ‘Cooperativas por um mundo pacífico’, representa a essência do nosso movimento, porque onde existe cooperação, existe diálogo, respeito e desenvolvimento compartilhado. Acreditamos que a paz também se constrói com trabalho, participação e solidariedade. E o cooperativismo é, sem dúvida, um dos caminhos mais humanos e sustentáveis para promover um mundo mais justo e equilibrado”, afirma o presidente do Sistema OCB/PA, Clara Maffia.
Ainda segundo ela, “em um contexto de tantos desafios globais, falar de paz é também falar de oportunidades, de acesso e de construção conjunta de soluções. E esse é justamente o diferencial do modelo cooperativo”.
A definição do tema é feita em conjunto pela ACI e pelo Comitê para a Promoção e o Desenvolvimento das Cooperativas (Copac), que reúne organismos internacionais ligados à ONU e parceiros estratégicos do setor. A expectativa é que, ao longo dos próximos meses, sejam divulgados os materiais oficiais da campanha, que orientarão as ações de comunicação e mobilização em diferentes países.
O protagonismo das mulheres chegou forte no cooperativismo e amplia presença em cargos de liderança, por meio de iniciativas que unem capacitação, inclusão produtiva e transformação social no Pará. O movimento “Elas pelo Coop” reafirma uma nova realidade dentro das cooperativas, em diversos ramos e aumenta o impacto econômico em comunidades inteiras.
Durante a programação da FENCOOP® 2026, lideranças femininas, representantes institucionais e cooperadas compartilharam experiências que mostram o avanço das mulheres em espaços de decisão, demonstrando como a presença feminina tem contribuído diretamente para o crescimento, inovação e sustentabilidade do setor cooperativista no estado.
À frente da Cooperativa COOPRIMA, no município de Primavera, Joelma Nunes representa uma dessas trajetórias de transformação. Presidente de uma cooperativa agroindustrial formada majoritariamente por mulheres, ela lidera uma organização que começou com 30 cooperados e hoje reúne cerca de 140 famílias agricultoras. Sob sua gestão, a cooperativa expandiu sua atuação para além da produção in natura, avançando na industrialização de produtos como mel e polpas de frutas, além de desenvolver novos projetos voltados à cadeia da mandioca, piscicultura e avicultura.
Joelma destaca que a liderança feminina está no centro desse crescimento, com mais de metade da diretoria composta por mulheres. Segundo ela, esse protagonismo fortalece não apenas a gestão, mas também o impacto social da cooperativa, que investe em práticas agroecológicas, redução de queimadas, sustentabilidade e capacitação produtiva. “As mulheres estão mais empoderadas e assumindo cada vez mais seu papel dentro do cooperativismo, seja na gestão, no agro ou em outros setores”, afirmou.
Além da atuação na COOPRIMA, Joelma também foi uma das fundadoras do movimento “Elas pelo Coop” no Pará, iniciativa criada para fortalecer a participação feminina dentro das cooperativas e incentivar a criação de comitês de mulheres em diferentes municípios e ramos de atividade.
O Sistema OCB/PA tem desempenhado papel importante na expansão desse movimento. A analista Melize Borges, responsável pelo acompanhamento técnico do Comitê Elas pelo Coop no estado, explica que o programa busca capacitar mulheres para ocuparem espaços de liderança e decisão dentro das cooperativas, promovendo maior equidade de gênero e diversidade.
Segundo Melize, o movimento ganhou força nacionalmente a partir de 2019, durante o Congresso Brasileiro do Cooperativismo, quando a pauta sobre protagonismo feminino passou a integrar de forma mais incisiva as diretrizes do setor. Desde então, o Pará tem avançado na criação de comitês femininos e na ampliação da presença de mulheres em cargos estratégicos.
“Observamos um crescimento, ainda que gradual, da participação feminina em posições de decisão nas cooperativas paraenses. Isso gera impacto positivo não apenas na gestão, mas também na mobilização social, no engajamento das comunidades e na criação de espaços de escuta e capacitação para outras mulheres”, ressaltou Melize.
A construção desses espaços fortalece uma rede de apoio que vai além da representatividade simbólica, promovendo autonomia econômica, desenvolvimento regional e transformação social. Cooperativas de crédito, agroindústria e diversos outros segmentos já vêm adotando comitês femininos como estratégia de fortalecimento institucional e promoção da diversidade.
O avanço do protagonismo feminino no cooperativismo paraense demonstra que, quando mulheres ocupam posições de liderança, os resultados se refletem em inovação, sustentabilidade e expansão de oportunidades. Seja na gestão, na produção ou na mobilização social, elas têm desempenhado papel fundamental na construção de um cooperativismo mais inclusivo, diverso e preparado para os desafios contemporâneos.
Cooperativas paraenses são modelos sustentáveis de negócio que transformam resíduos, tradição e recursos naturais em geração de renda, inclusão social e preservação ambiental. Durante a programação da FENCOOP® 2026, iniciativas ligadas ao artesanato sustentável, turismo de base comunitária, manejo florestal e reciclagem mostraram como a economia circular tem ganhado força em diferentes regiões do estado, fortalecendo comunidades e criando oportunidades para famílias.
Com atuação em territórios da Amazônia paraense, cooperativas vêm demonstrando, na prática, que o que antes era descarte ou recurso subvalorizado pode se tornar fonte de trabalho, autonomia e valorização cultural, mostrando que movimentações como essas reforçam a capacidade do cooperativismo de unir sustentabilidade econômica, conservação ambiental e protagonismo social.
À frente da TURIARTE, cooperativa de turismo de base comunitária e artesanato sustentável de Santarém, região do Tapajós, a presidente Naira Castro destacou que o trabalho desenvolvido pelas 12 comunidades participantes representa mais do que produção artesanal. Trata-se da preservação de identidade, cultura ancestral e fortalecimento da economia local. Segundo ela, a cooperativa funciona como ponte para dar visibilidade ao trabalho realizado dentro das comunidades, especialmente por mulheres, promovendo geração de renda e autonomia. “Através da cooperativa, conseguimos levar nossos produtos e nossa cultura para além dos territórios locais, alcançando espaços nacionais e internacionais como feiras e exposições”, ressaltou.
Presente na FENCOOP® desde 2022, a TURIARTE utiliza o evento como vitrine para ampliar mercados e divulgar o potencial produtivo das comunidades tradicionais do Pará. Com a participação na feira, a cooperativa busca fortalecer o planejamento produtivo das cooperadas e reforçar a importância da comercialização sustentável como estratégia de desenvolvimento.
No extrativismo florestal, a COOMFLONA também se destaca como exemplo de economia circular e uso racional dos recursos naturais. Atuando com extrativismo e manejo florestal na Floresta Nacional do Tapajós, a cooperativa alia exploração sustentável à geração de renda para famílias da região. O diretor-presidente Arimar Feitosa Rodrigues explicou que o modelo adotado utiliza tecnologias de baixo impacto, permitindo ciclos produtivos sustentáveis de longo prazo e retorno contínuo para as comunidades.
Além da geração econômica, parte dos recursos obtidos é revertida em ações sociais, beneficiando iniciativas voltadas à juventude, mulheres, turismo de base comunitária e artesanato. “O manejo sustentável garante renda, distribui oportunidades e fortalece o desenvolvimento das comunidades”, afirmou.
Outro exemplo vem da COCAOUT, cooperativa formada majoritariamente por jovens da Ilha de Outeiro, que atua na coleta e reciclagem de resíduos sólidos, associando geração de trabalho à educação ambiental. A cooperativa se consolidou como importante agente socioambiental ao transformar materiais recicláveis em renda para jovens com poucas oportunidades no mercado formal.
Representando a cooperativa, Ana Carolina destacou que a atuação vai além da reciclagem, envolvendo campanhas educativas em praias, espaços públicos e centros comerciais. “Nosso trabalho é também conscientizar sobre o descarte correto e mostrar que resíduos podem gerar transformação social”, explicou.
Com parcerias estratégicas com empresas e instituições, a cooperativa amplia sua estrutura operacional e fortalece projetos de inclusão social, ao mesmo tempo em que contribui para redução dos impactos ambientais em áreas urbanas e turísticas.
As experiências apresentadas demonstram que a economia circular, quando impulsionada pelo cooperativismo, se torna ferramenta concreta de desenvolvimento regional. Seja por meio do reaproveitamento de resíduos, da valorização do conhecimento tradicional ou da gestão sustentável dos recursos naturais, cooperativas paraenses mostram que é possível gerar renda e inclusão ao mesmo tempo em que se preserva o meio ambiente.
Essas iniciativas reforçam o papel do cooperativismo na construção de uma economia mais resiliente, inclusiva e alinhada aos desafios atuais da Amazônia. No Pará, o cooperativismo segue provando que desenvolvimento e preservação podem caminhar juntos, transformando oportunidades em impacto real para vida das pessoas.
Cooperativas que não mantiverem seus dados atualizados junto ao Sistema OCB/PA poderão ficar impedidas de participar de programas, ações e atividades promovidas pelas unidades estadual e nacional. O alerta reforça a importância da atualização cadastral anual como requisito essencial para garantir acesso a soluções, visibilidade institucional e oportunidades de desenvolvimento no cooperativismo paraense.
O impedimento ganha força com o fim do prazo de atualização, que acontece dia 20 de maio, de plataformas e instrumentos essenciais para o setor, como o SouCoop com a atualização cadastral e preenchimento Anuário, executados pelo Sistema OCB/PA e que dependem de dados oficiais, válidos e atualizados para inclusão, acompanhamento e participação das cooperativas.
Na prática, o que antes era visto como uma etapa burocrática passa a ser compreendido como um instrumento de permanência institucional, organização e competitividade. Isso porque os dados cadastrais atualizados são a base para a inclusão das cooperativas em programas técnicos, ações de mercado, projetos de capacitação, publicações oficiais, diagnósticos setoriais e iniciativas de fortalecimento conduzidas pela unidade estadual.
A atualização cadastral anual reúne informações essenciais sobre a realidade das cooperativas, como regularidade documental, quadro societário, composição da gestão, dados operacionais, número de cooperados, indicadores de desempenho e informações jurídicas. É a partir desse conjunto de dados que o Sistema OCB/PA estrutura sua atuação institucional, identifica demandas, direciona políticas de atendimento e desenvolve programas alinhados às necessidades reais das cooperativas paraenses.
Da mesma forma, são os dados atualizados que viabilizam a consolidação do Anuário do Cooperativismo, publicação que traduz em números a força econômica e social do setor, fortalece sua presença institucional e evidencia o cooperativismo como vetor de desenvolvimento no estado. Sem esse fluxo contínuo de atualização, o Sistema perde capacidade de leitura sobre o setor e a cooperativa perde espaço dentro de um ecossistema que hoje depende de informação qualificada para gerar oportunidades concretas.
O ponto de maior atenção está nas consequências práticas da não atualização cadastral. Cooperativas que deixarem de atualizar suas informações dentro dos prazos estabelecidos serão ser impedidas de participar das atividades promovidas pelo Sistema OCB/PA e OCB Nacional, incluindo programas de capacitação, projetos técnicos, consultorias, ações de intercooperação, feiras, eventos institucionais, rodadas de negócios, levantamentos estratégicos e iniciativas de promoção e desenvolvimento.
Dra. Nelian Rossafa, assessora jurídica do Sistema OCB/PA, destaca que a ausência de atualização cadastral gera impedimentos objetivos para a cooperativa, especialmente no acesso a programas, projetos e atividades desenvolvidas pela unidade estadual. “Esses impedimentos têm reflexo direto no desenvolvimento da cooperativa, porque limitam sua participação em ações estratégicas, fragilizam sua regularidade institucional e podem comprometer inclusive sua segurança jurídica e documental. Atualizar o cadastro é uma medida de conformidade, proteção institucional e garantia de acesso”, alerta Rossafa.
Isso significa que cooperativas com cadastro desatualizado podem perder acesso a oportunidades importantes de crescimento, qualificação, posicionamento institucional e inserção em agendas estratégicas do setor. O impedimento também alcança ferramentas e programas que dependem diretamente da atualização anual, como inserção em plataformas institucionais, participação em publicações oficiais, acesso a soluções de desenvolvimento organizacional e inclusão em ações estruturantes voltadas à competitividade das cooperativas.
Nesse contexto, a atualização cadastral deixa de ser apenas uma exigência formal e passa a ser uma ferramenta concreta de proteção institucional e fortalecimento organizacional. E a restrição administrativa limita com impacto direto sobre o desenvolvimento institucional, técnico e econômico das cooperativas.
“Atualizar o cadastro é garantir que a cooperativa continue inserida de forma plena no sistema de oportunidades, soluções e representação que o Sistema OCB/PA constrói diariamente. Não se trata apenas de manter um registro ativo, mas de assegurar presença institucional, acesso a programas e participação nas ações que fortalecem o cooperativismo no Pará. Quando uma cooperativa deixa de atualizar seus dados, ela compromete sua capacidade de acessar instrumentos que hoje são fundamentais para crescer com competitividade, governança e visibilidade”, ressalta Júnior Serra, superintendente do Sistema OCB/PA.
Mais do que uma vitrine de produtos, a Feira de Negócios do Cooperativismo Paraense – FENCOOP®, se tornou um espaço estratégico de conexão entre cooperativas, mercado e sociedade. Em sua 6ª edição, o evento reforçou o papel do cooperativismo como motor de desenvolvimento econômico e social no estado, ao reunir diferentes segmentos produtivos e dar visibilidade a histórias que nascem da coletividade. A proposta é aproximar quem produz de quem consome, além de estimular parcerias e ampliar horizontes para centenas de cooperados.
Para a diretora de Cooperativismo na Sedeme, Luziane Sena, a feira também cumpre um papel institucional importante ao integrar diferentes atores do setor. “Trouxemos os conselheiros para dentro da feira justamente para que eles conheçam de perto a realidade das cooperativas e entendam como podem contribuir para o fortalecimento do setor. A FENCOOP® é esse espaço que mostra a força do cooperativismo paraense e cria pontes para que ele cresça ainda mais”, destacou.
Esse avanço pode ser percebido na prática, nas histórias de quem vive o cooperativismo no dia a dia. Há quase três décadas nas ruas de Belém, os motoristas da Cooperativa de Táxi da Doca encontraram na união uma forma de transformar o serviço e garantir mais autonomia. Criada há 28 anos, a cooperativa nasceu da necessidade de organizar o trabalho e oferecer mais qualidade à população. Hoje, com 112 cooperados, o sistema funciona de forma integrada, com atendimento via call center e distribuição automatizada das corridas.
O diretor-secretário, Kellivan Moraes, diz que o modelo fortalece tanto o coletivo quanto o individual. “Todo mundo é dono e cada um faz o seu horário. A gente se uniu para prestar um serviço com mais qualidade, segurança e conforto. E, ao mesmo tempo, cada cooperado constrói sua própria renda. A cooperativa existe justamente para dar suporte a tudo isso”, explicou.
Na Ilha do Combu, o cooperativismo também mudou a forma de viver e trabalhar. O que antes era uma economia baseada principalmente no açaí e no cacau, hoje encontra no turismo sua principal fonte de renda.
A COOPPERTRANS COMBU, que reúne 51 cooperados, nasceu com apenas três embarcações e, ao longo dos anos, expandiu sua atuação até se tornar essencial para o fluxo de visitantes na região. Atualmente, são cerca de 50 lanchas operando entre travessias e roteiros turísticos. “Hoje a gente vive do turismo. Antes, não conseguíamos nos manter só com isso, mas a cooperativa trouxe organização e renda. Sem o transporte, não tem como o visitante chegar na ilha e consumir o que a gente produz”, contou Ana Lice Mota, do conselho fiscal da cooperativa.
Para além da mobilidade, a feira também revela o potencial de transformação da produção local. Em São João de Pirabas, a aposta na verticalização da cadeia do mel tem permitido que pequenos produtores avancem no mercado com mais valor agregado.
É o caso da cooperativa AGROMEL, que reúne agricultores, apicultores e meliponicultores. Ao invés de comercializar apenas o mel in natura, o grupo passou a investir em novos produtos, como mel com pimenta, própolis e pólen. Uma estratégia que amplia as possibilidades de renda, mas também traz desafios.
“Trabalhar com essa cadeia não é fácil. Para chegar ao produto a gente precisa de estrutura, certificação, investimento. Muita gente fica só na venda do mel bruto porque não consegue avançar. Então, estar aqui mostrando que conseguimos ir além é motivo de muito orgulho”, destacou a cooperada Andréa Santa Brígida.
Esse movimento de amadurecimento do setor também é observado no crescimento da própria FENCOOP®. De acordo com o superintendente do Sistema OCB/PA, Júnior Serra, a feira evoluiu junto com as cooperativas. “A gente praticamente dobrou a participação de cooperativas desde as primeiras edições. Antes, eram mais exposições institucionais, com cartazes. Hoje, vemos produtos sendo comercializados, negócios sendo fechados. No ano passado, foram cerca de 7 milhões de reais movimentados, e a expectativa é superar esse número”, afirmou.
Segundo ele, a proposta da feira sempre foi de conectar cooperativas à sociedade e fortalecer o ambiente de negócios. Iniciativas como a Cozinha Show, que utiliza exclusivamente produtos da agricultura familiar cooperativista, e parcerias com o setor de bares e restaurantes ampliam ainda mais esse alcance. “A FENCOOP® mostra que o cooperativismo está presente em muito mais atividades do que as pessoas imaginam. E mais do que isso, mostra que ele é viável, competitivo e essencial para o desenvolvimento do estado”, completou.
O a escalada de crescimento do evento também chama atenção fora do estado. O que se vê nos corredores da feira, segundo a superintendente do Sistema OCB Nacional, Fabíola Nader, é um retrato de como o cooperativismo amazônico tem transformado desafios históricos em soluções coletivas e oportunidades de negócio. “A feira mostra a força do cooperativismo e evidencia que, por trás de negócios fortes e produtos de qualidade, existe um propósito maior: transformar a vida dos cooperados e, consequentemente, das comunidades onde eles estão inseridos”, destacou Fabíola.
Na avaliação dela, a pluralidade da Amazônia torna o cooperativismo ainda mais relevante como ferramenta de desenvolvimento. “Aqui a gente encontra realidades muito específicas, com desafios de logística, infraestrutura, acesso e visibilidade. E o cooperativismo surge justamente como uma forma coletiva de enfrentar essas adversidades e criar possibilidades para essas comunidades”, afirmou.
De forma ampla o cooperativismo se traduz em geração de renda, fortalecimento de comunidades e construção de novas oportunidades. Um movimento coletivo que segue crescendo e redesenhando a economia paraense.
Com atuação cada vez mais articulada no campo político e econômico, o cooperativismo paraense se mostra como vetor de desenvolvimento econômico, e transformação social no estado. O setor vive um momento de amadurecimento institucional e protagonismo político, chancelado pelo sucesso da FENCOOP® 2026, ocorrida na última semana em Belém. Mais do que um modelo de negócios, o setor se posiciona como uma estratégia concreta de desenvolvimento, capaz de integrar geração de renda, inclusão social e sustentabilidade em um mesmo sistema organizado e eficiente.
Com articulação política crescente e impacto direto na economia real, o cooperativismo paraense se consolida como política de desenvolvimento, ampliando sua influência na economia do estado. Esse avanço é resultado de uma construção coletiva que vem fortalecendo a presença do cooperativismo nos principais espaços de decisão.
A representatividade institucional do cooperativismo também se fortalece à medida que o setor amplia sua presença nos espaços de decisão. Com atuação técnica o Sistema OCB/PA tem desempenhado papel fundamental na defesa de pautas estratégicas, como o reconhecimento das especificidades do modelo cooperativista na reforma tributária, um ponto essencial para garantir competitividade e segurança jurídica às cooperativas paraenses.
Ao mesmo tempo, o movimento se conecta diretamente com agendas globais e nacionais, como o desenvolvimento sustentável. No Pará, essa conexão é ainda mais relevante diante do protagonismo ambiental do estado e da visibilidade internacional com a COP30. As cooperativas já são agentes ativos nessa agenda, atuando na economia circular, na produção sustentável e na valorização de comunidades locais.
Ernandes Raiol, presidente da OCB/PA, destaca que a iniciativa deixou legados importantes para o estado. Entre eles, estão o fortalecimento da cultura cooperativista, a ampliação de parcerias institucionais e o estímulo à inovação dentro das cooperativas.
"O ensinamento disso tudo é olhar para o futuro e aproveitar aquilo que nos foi dado na COP30, onde nós fomos atores principais e mostramos para o mundo que somos capazes de cuidar da nossa região e ao mesmo tempo produzir com responsabilidade. Nós temos uma pluralidade de produtos oriundos da agricultura familiar e da economia solidária, produtos esses que nos orgulha muito porque são livres de agrotóxico e o mais importante, aquilo que hoje sobra de rejeito das cooperativas nós estamos transformando em bioinsumos e outros adubos que a gente pode trabalhar", avalia Raiol reafirmando o destaque das cooperativas para o futuro.
Nesse contexto, o Sistema OCB/PA exerce um papel estratégico como articulador institucional. Por meio de programas, soluções e ações, a entidade atua na defesa de políticas públicas, no fortalecimento do ambiente de negócios e na ampliação da competitividade das cooperativas. Essa atuação posiciona o cooperativismo como parceiro do desenvolvimento, dialogando com governos, setor produtivo e a sociedade.
Para a diretora-presidente da cooperativa CASP, Cintya Roberta, a articulação política e institucional é fundamental para garantir políticas públicas, acesso a crédito e assistência técnica.
“Estamos no mercado há mais de 16 anos e com o apoio do Sistema OCB/PA trabalhamos em parceria com diversas instituições como prefeituras, Emater, Adepará, Terra Preta, além de assessorias técnicas e instituições de ensino. E todo esse apoio tem sido decisivo para estruturar a produção local mostrando, na prática, que é um modelo econômico viável, saindo da lógica individual e para atuar de forma organizada, garantindo escala, qualidade e acesso a mercados que antes eram inacessíveis para o agricultor familiar, ressaltou Cintya.
Assim como outras cooperativas, os produtos da CASP abastecem programas como o PNAE e o PAA, chegando à merenda escolar de diversos municípios e a instituições como UFPA, IFPA, além do SESC e do Comando da Aeronáutica, por meio de políticas de compra institucional.
O secretário de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia do Pará (SEDEME), Mauro Bastos, enfatizou o impacto do setor na economia estadual. “O cooperativismo é um parceiro fundamental para o desenvolvimento econômico do Pará. Ele chega aonde muitas vezes outras estruturas não chegam, promove inclusão produtiva e fortalece economias locais. O diálogo com o Sistema OCB/PA tem sido essencial para construirmos políticas públicas mais eficientes e alinhadas com a realidade do estado”, afirmou.
Assim, o cooperativismo deixa de ser visto apenas como uma alternativa econômica e passa a ser reconhecido como política de desenvolvimento. Um modelo que organiza pessoas, gera oportunidades e constrói soluções coletivas para desafios estruturais.
O espaço Cozinha Show, coordenado pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes – ABRASEL, deu show de regionalidade, cooperação e experiência gastronômica durante a FENCOOP 2026, realizada em Belém, ao unir gastronomia regional, troca de saberes e inclusão. Durante a programação, o público acompanhou aulas ao vivo com chefs renomados, degustou novos sabores e, sobretudo, vivenciou uma proposta acessível, com a presença de intérpretes de Libras.
Para o intérprete Lucas Martins, a experiência foi além da tradução, trata-se de garantir direitos e promover pertencimento. “As pessoas ficam admiradas, porque a Libras é bonita de se ver. Mas, mais do que isso, é garantir o direito de pessoas surdas acessarem esses espaços”, destacou. Segundo ele, participantes surdos acompanharam as aulas e relataram uma experiência acolhedora. “O que mais importa é como eles se sentem, e eles se sentiram acolhidos, aprenderam receitas novas e experimentaram pratos diferentes”, afirmou.
Lucas também ressaltou o desafio e a riqueza de traduzir conteúdos gastronômicos para Libras, especialmente com ingredientes típicos da região. “Dentro da Libras existem sinais que fazem referência a legumes, frutas e elementos regionais. Então a gente trabalha muito com itens como macaxeira, tucupi e jambu, o que torna tudo mais vivo e compreensível”, explicou. Ele ainda reforça que a atuação em eventos como esse amplia o alcance da acessibilidade: “Trabalhar com Libras é possibilitar comunicação e garantir que pessoas surdas acessem todos os espaços”.
Na cozinha, a proposta também foi de valorização cultural. O chef Sérgio Pará apresentou um prato que mistura influências amazônicas e italianas, surpreendendo o público. “Eu fiz uma fusão do Pará com a Itália, usei ingredientes nossos com técnicas italianas e saiu uma maravilha”, contou. Para ele, a interação com o público é um dos pontos altos do evento. “É uma troca. Eu achei muito legal ver o pessoal participando, ficando até o final das aulas”, disse.
O chef também destacou a importância da inclusão no evento. “A questão da Libras aqui é uma prova de inclusão. Eu vi pessoas surdas acompanhando, tirando fotos, agradecendo. Isso mostra que o evento está preparado”, avaliou.
Quem participou pela primeira vez da Cozinha Show foi a professora e pedagoga Eunice Ferreira, que se encantou com a proposta. “Eu gostei demais. Ele explica super bem e traz temperos que a gente usa pouco, como a alfavaca e o jambu”, comentou. Para ela, o espaço também cumpre um papel importante na valorização da culinária amazônica. “A gente precisa manter essa tradição viva. Esse cheiro, esse sabor da Amazônia são únicos”, afirmou.
Nesta edição, o espaço ganhou reforço importante na valorização da gastronomia regional e da produção cooperativista, com o uso do selo de Cidade Criativa da Gastronomia, concedido pela UNESCO a Belém, além do lançamento de um e-book que reunirá as receitas, histórias e saberes apresentados durante o evento.
A iniciativa surgiu a partir de uma parceria com a Abrasel, responsável pela coordenação do espaço “Cozinha Show”, ambiente que usa produtos de cooperativas para preparar os pratos. O selo internacional, que reconhece Belém como referência global na gastronomia, passa a ser utilizado como ferramenta para fortalecer a identidade culinária local em eventos e festivais, ampliando a visibilidade dos produtos e dos produtores da região como explica Diego Andrade, gerente de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB/PA.
"Mais do que promover degustações, a proposta deste ano avança na difusão de conhecimento. O e-book, que será lançado após o evento, reunirá receitas preparadas durante os três dias da FENCOOP, acompanhadas de fichas técnicas, modos de preparo, lista de ingredientes e registros visuais dos pratos. O material também contará a origem dos insumos utilizados — em sua maioria provenientes de cooperativas — destacando o papel da agricultura familiar na cadeia produtiva".
A ideia é conectar consumo e propósito, evidenciando que os produtos adquiridos carregam identidade, cultura e impacto social. E permitir que o público leve para casa não apenas o sabor experimentado na feira, mas também a história por trás de cada prato.
Outro destaque desta edição foi o uso de insumos cooperativistas. Todos os pratos apresentados utilizaram pelo menos dois ou três ingredientes oriundos de cooperativas, superando metas estabelecidas em anos anteriores. O resultado reforçou o objetivo de ampliar a comercialização desses produtos e mostrar para os donos de restaurantes e chefs que as cooperativas possuem umA pluralidade de produtos que podem fazer a diferença na regionalidade de seus pratos.
Carolina Farias, executiva da Abrasel, destacou o papel das cooperativas no fortalecimento da cadeia gastronômica. “Por que que a gente está aqui? As cooperativas atendem os nossos associados e a Abrasel tem o interesse em fazer essa conexão entre eles. A gente precisa dos insumos deles e eles têm o que a gente precisa para os estabelecimentos”, afirmou Carolina.
Para ela, a Cozinha Show também cumpre um papel social. “Para nós é muito interessante participar da feira, esse momento de integração, de conexão. A Cozinha Show é uma forma de enaltecer chefes, produtores, um momento legal da comunidade. “As pessoas gostam de degustar, a cozinha fica lotada, um momento de integração do fornecedor, do restaurante e da comunidade”, completou.
A grande participação do público também marcou o evento. A organização registrou aumento na visitação em comparação às edições anteriores, reflexo do interesse crescente não apenas pela gastronomia, mas pelas histórias e pelo propósito que envolvem cada produto apresentado.
O protagonismo jovem no cooperativismo paraense ganhou novos contornos com a realização do Encontro da Geração C, que reuniu jovens de diferentes regiões do estado, durante a FENCOOP 2026. O evento marcou o lançamento do regimento interno do Comitê de Jovens do Estado do Pará.
"Hoje temos um marco muito importante, que é a assinatura do regimento interno. Esse documento foi construído de forma coletiva ao longo de 2025 e parte de 2026, junto com o comitê. Agora, ele passa a contar com o apoio institucional do Sistema OCB/PA, garantindo mais estrutura, respaldo jurídico e fortalecendo ainda mais a atuação do grupo", explicou José Neto, membro do Comitê de Jovens do Pará.
Outro destaque do encontro foi a apresentação do Selo Roxo, que passa consolidar a identidade do movimento e a fortalecer o reconhecimento das suas iniciativas. "O Selo Roxo é uma iniciativa construída pela Geração C em parceria com o Sistema OCB, com o objetivo de engajar e fortalecer a participação da juventude dentro das cooperativas. A proposta busca incentivar práticas mais inclusivas, voltadas à valorização dos jovens no cooperativismo. Nos próximos dias, serão lançadas as normativas que vão orientar o processo. A partir disso, as cooperativas terão o prazo de um ano para se inscrever e se adequar aos critérios estabelecidos.", afirmou Alana Adinaele, Coordenadora do Comitê de Jovens
O encontro também marcou a ampliação do diálogo institucional com outras frentes voltadas à juventude. Durante a programação, foi formalizada a assinatura de um termo de cooperação técnica entre o Sistema OCB/PA e o Instituto COJOVEM, garantindo atuação conjunta em pautas ligadas ao desenvolvimento social e à participação juvenil.
Para Aldrin Barros, representante do Instituto COJOVEM, a parceria nasce da convergência entre agendas e da necessidade de atuação coletiva. "Esse termo de cooperação surge de uma estratégia de atuação multifatorial. O COJOVEM atua com diferentes segmentos na defesa dos direitos da juventude, e entendemos que os jovens do cooperativismo são uma base estratégica para ocupar espaços institucionais. A parceria fortalece essa atuação conjunta, ampliando a participação juvenil e impulsionando programas, projetos e políticas públicas."
A Geração C é o comitê jovem do cooperativismo, formado por integrantes que conectam pessoas, ideias e atitudes em prol de um futuro mais justo, colaborativo, inovador e sustentável. Atualmente, mais de 300 jovens ocupam espaços de liderança, representação e governança em cooperativas paraenses. A Geração C já está presente em cerca de 150 cooperativas, alcançando aproximadamente 70% das registradas no Sistema OCB/PA.
A relevância do encontro também foi destacada pela representante da unidade Nacional do Sistema OCB, Divani Ferreira de Souza, que enfatizou que o momento vivido no Pará se firma como referência para outras regiões. "Esse momento foi um marco importante e vai servir de referência para a unidade nacional e outros estados. O regimento fortalece a formalização do comitê, enquanto o selo roxo aponta para o futuro, como instrumento de reconhecimento e incentivo ao cooperativismo que queremos construir, concluiu"
O fortalec
imento do cooperativismo agropecuário no Pará ganhou destaque na neste sábado (25), durante a realização do Encontro das Cooperativas do Ramo Agro, um dos momentos estratégicos da programação da FENCOOP 2026. O evento ocorreu no Teatro Maria Sylvia Nunes, na Estação das Docas, reunindo lideranças, produtores, pesquisadores e instituições em um amplo espaço de diálogo, troca de experiências e construção de soluções para o setor.
Com uma programação voltada à apresentação de dados, cases de sucesso e estratégias de mercado, o encontro reforçou o papel das cooperativas como agentes de desenvolvimento econômico e social, especialmente no contexto da agricultura familiar e da bioeconomia amazônica.
O encontro foi estruturado para ir além do debate, trazendo informações concretas que possam orientar decisões e impulsionar o crescimento das cooperativas. “Este é um momento muito especial, pois reunimos dados do cenário do cooperativismo levantados por meio de consultoria estratégica, que nos permitem dialogar com parceiros, instituições e investidores. A partir dessas informações, conseguimos fortalecer o ramo agro, gerar oportunidades e estruturar ações que impactam diretamente as cooperativas”, destacou a analista de monitoramento do Sistema OCB/PA, Paola Corrêa.
A programação incluiu ainda conteúdos voltados ao posicionamento de mercado, com a apresentação de estratégias para ampliar a comercialização de produtos, desde feiras locais até mercados mais exigentes. “A proposta é mostrar que as cooperativas podem alcançar diferentes públicos e agregar valor à sua produção, ampliando horizontes e fortalecendo sua atuação”, complementa Paola Corrêa.
Outro ponto de destaque foram os casos de sucesso apresentados durante o encontro, mostrando iniciativas que vêm transformando realidades no campo. Experiências como o protagonismo de mulheres e jovens, o fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis e a geração de renda a partir de resíduos agroflorestais demonstraram, na prática, o potencial inovador das cooperativas paraenses.
A diversidade de públicos presentes, incluindo estudantes, pesquisadores e representantes de instituições, reforçou o caráter aberto e integrador do encontro. Entre os participantes, a percepção foi de aprendizado e ampliação de perspectivas. A mestranda em Agronomia Grace Kelly destacou a relevância do conteúdo para a pesquisa acadêmica, especialmente no contexto da economia circular e da sustentabilidade promovida pelas cooperativas. A cooperada Renata Silva, da CAEPIM, destacou a importância do acesso à informação. “Nós, da base, muitas vezes não temos acesso a esse tipo de conhecimento. Aqui, conseguimos entender melhor o potencial do cooperativismo e levar essas informações para outros cooperados, contribuindo para o nosso crescimento”, afirmou.
A percepção é compartilhada por representantes de cooperativas já consolidadas, que veem no encontro uma oportunidade contínua de evolução. O presidente da CCAMPO, Mário Zanelato, ressaltou o caráter estratégico do evento ao apresentar tendências de mercado e orientar sobre posicionamento e valorização dos produtos regionais. “É um espaço que nos ajuda a evitar erros e avançar com mais segurança, valorizando nossos diferenciais, especialmente a agricultura familiar e a identidade amazônica”, pontuou.
O uso de tecnologia e inovação também esteve em evidência no encontro. O diretor executivo da Amaztrace, Vitor Monteiro, ressaltou a rastreabilidade como ferramenta estratégica para acesso a crédito e novos mercados. “A agricultura familiar pode ser altamente produtiva e rentável. Nosso papel é contribuir para esse desenvolvimento, conectando tecnologia e cooperativismo”, pontuou.
O encontro também evidenciou o impacto social das cooperativas, especialmente na inclusão e no fortalecimento de comunidades tradicionais. A presidente da cooperativa COOPAFS, de Santarém/PA, Lucilene Sousa, ressaltou a importância da participação feminina e da diversidade dentro das organizações. “Estamos construindo um modelo que valoriza mulheres, povos originários e comunidades tradicionais, ampliando oportunidades e fortalecendo nossas cooperativas”, afirmou.
A realização do Encontro das Cooperativas do Ramo Agro é um dos principais espaços de articulação do cooperativismo paraense. Com foco em inovação, sustentabilidade e fortalecimento de parcerias, a iniciativa consolida o cooperativismo como um dos principais motores de crescimento do setor agropecuário no Pará.